O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos espíritos” | Capítulo 1 “Os espíritos”
A Escala Espírita: As Três Ordens dos Espíritos, questões 101 a 113
Neste artigo vamos abordar as questões 101 a 113 de “O Livro dos Espíritos”. Estas questões falam sobre as ordens dos Espíritos
A Doutrina Espírita classifica os Espíritos em três ordens principais, de acordo com o seu grau de evolução moral e intelectual. Na terceira ordem encontram-se os Espíritos imperfeitos, nos quais ainda predomina a matéria sobre o espírito. São inclinados ao erro, à ignorância e, muitas vezes, ao mal, estando em estágios iniciais de aprendizado e transformação.
Na segunda ordem estão os bons Espíritos, que já alcançaram um nível mais elevado de evolução. Neles há predominância do espírito sobre a matéria, manifestando-se o desejo sincero de praticar o bem, auxiliar o próximo e viver de acordo com princípios mais elevados de moralidade e sabedoria.
Por fim, na primeira ordem estão os Espíritos puros, que atingiram o mais alto grau de perfeição possível. Totalmente livres da influência da matéria, possuem plena superioridade moral e intelectual, vivendo em harmonia com Deus e colaborando na manutenção da ordem universal.
Na terceira ordem, os Espíritos imperfeitos têm a intuição de Deus, sem, contudo, compreendê-Lo plenamente. Neles predomina a matéria sobre o espírito, o que os torna inclinados ao mal, à ignorância e a atitudes marcadas por malícia. Embora alguns não sejam essencialmente maus, demonstram inferioridade por permanecerem indiferentes ao bem, enquanto outros encontram satisfação em praticar o mal. Seu conhecimento sobre o mundo espiritual é limitado, e seu caráter se revela claramente por meio da linguagem que utilizam. Pensamentos negativos sugeridos ao homem estão associados a essa ordem de Espíritos, que sofrem intensamente com a felicidade dos bons, sendo atormentados pela inveja e pelo ciúme. Eles conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corporal, que muitas vezes, é mais dolorosa do que a realidade vivida. Sofrem tanto pelos males que sofreram, quanto pelos que fizeram aos outros. E, por sofrerem por muito tempo, acreditam sofrer para sempre.
Os espíritos impuros são divididos em cinco classes, compreendidas entre a décima e a sexta classe: Espíritos impuros; levianos; falsos sábios; neutros e perturbadores.
Os Espíritos impuros são fortemente inclinados ao mal e buscam constantemente influenciar os encarnados de forma negativa, estimulando discórdia, desconfiança e engano. Apegam-se especialmente às pessoas mais frágeis, conduzindo-as ao sofrimento. Durante as manifestações são reconhecidos pela linguagem e pelas expressões grosseiras, o que revela sua inferioridade moral e intelectual. Certos povos fizeram deles divindades malignas, outros os nomearam como demônios, espíritos malignos, espíritos do mal. Quando encarnados são propensos a todos os vícios morais: sensualidade, crueldade, hipocrisia, deslealdade, ganância, avareza. Fazem o mal pelo prazer de fazê-lo, na maioria das vezes, sem motivo e, por ódio ao bem, quase sempre escolhem como suas vítimas pessoas honestas. Esses espíritos são um flagelo para a Humanidade, qualquer que seja o nível social a que pertençam.
Os Espíritos levianos destacam-se pela ignorância, pela inconsequência e pelo comportamento zombador. Interferem em tudo, respondem a tudo sem compromisso com a verdade e divertem-se com pequenas intrigas e enganos. Esses espíritos são vulgarmente chamados de duendes, gnomos ou elfos. Sua comunicação pode parecer espirituosa, mas carece de profundidade, sendo frequentemente marcada por ironia e sarcasmo. Utilizam-se de nomes falsos, mais por malícia do que por maldade.
Já os falsos sábios possuem certo conhecimento, porém acreditam saber mais do que realmente sabem. Tendo feito alguns progressos sob vários pontos de vista, sua linguagem tem um caráter sério que pode enganar. Porém, na maioria das vezes, é apenas um reflexo dos preconceitos e ideias sistemáticas da vida terrestre que tiveram; é uma mistura de algumas verdades com os erros mais absurdos, nos quais estão presentes a presunção, o orgulho, o ciúme e a teimosia, dos quais ainda não se libertaram.
Os Espíritos neutros não são bons o suficiente para fazer o bem, nem maus o suficiente para fazer o mal; possuem inclinação tanto para um, como para o outro e não se elevam acima da condição comum da Humanidade, nem na moral e nem na inteligência. Apegam-se às coisas do mundo cujas alegrias grosseiras lamentam por não tê-las mais.
Os Espíritos perturbadores podem pertencer a todas as classes da terceira ordem. Muitas vezes, se manifestam por efeitos sensíveis e físicos, como pancadas, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do ar etc. Estão mais ligados à matéria do que outros Espíritos e parecem agentes das transformações dos elementos da Terra, atuando no ar, na água, no fogo, nos corpos duros ou nas entranhas da Terra. Reconhece-se que esses fenômenos não se devem a uma causa acidental e física, pois têm caráter intencional e inteligente. Todos os espíritos podem produzir esses fenômenos, mas estes estão mais ligados às coisas materiais do que à inteligência. Sua atuação revela, portanto, um vínculo mais estreito com o plano físico do que com o desenvolvimento moral ou intelectual.
Em contraste, na segunda ordem, os bons Espíritos caracterizam-se pela predominância do espírito sobre a matéria e pelo desejo sincero de fazer o bem. Suas qualidades e seu poder de fazer o bem se devem ao seu grau de evolução. Alguns têm conhecimento da ciência, outros sabedoria e bondade. Os mais avançados unem o conhecimento com as qualidades morais. Como não estão completamente desmaterializados, conservam vestígios da existência corpórea, quer na forma da linguagem, quer nos seus hábitos. Eles compreendem Deus e o infinito. Estão felizes com o bem que fazem e com o mal que evitam. O amor é a fonte de felicidade. Mas todos ainda têm provas a cumprir, até atingirem a perfeição. Como espíritos, despertam bons pensamentos, desviam os homens do caminho do mal, protegem a vida daqueles que se fazem dignos dela e neutralizam a influência de espíritos imperfeitos naqueles que assim querem. Quando encarnados são gentis e benevolentes com seus semelhantes; não são movidos pelo orgulho, egoísmo, ambição, ódio, ressentimento, inveja, ciúme e fazem o bem pelo bem. A esta ordem pertencem os espíritos do bem e protetores.
Esses bons Espíritos também se organizam em diferentes classes, compreendidas entre a quinta e a segunda classe: espíritos bondosos, estudiosos, sábios e superiores.
Os Espíritos bondosos, como o nome diz, têm a bondade como qualidade dominante. Eles são felizes por prestar serviço aos homens e protegê-los, ainda que possuam conhecimento limitado. Seu progresso foi realizado mais no sentido moral do que no intelectual.
Os Espíritos estudiosos diferenciam-se pela extensão de seu conhecimento. Preocupam-se mais com as questões científicas, pois têm mais aptidão para elas. Consideram a Ciência apenas do ponto de vista da sua utilidade e não a misturam aos maus instintos.
Os Espíritos sábios caracterizam-se pelas qualidades morais mais elevadas. São dotados de capacidade intelectual que lhes dá um bom julgamento sobre os homens e as coisas.
Já os Espíritos superiores reúnem ciência, sabedoria e bondade. Sua linguagem transmite apenas benevolência; é sublime. Sua superioridade permite fornecer noções mais precisas das coisas do mundo espiritual, dentro dos limites que o homem pode conhecer. Comunicam-se prontamente com aqueles que buscam a verdade de boa-fé, e cuja alma está suficientemente liberta dos laços terrenos para compreendê-la. Quando, excepcionalmente, encarnam na Terra, é para cumprir uma missão de progresso, servindo de modelo à Humanidade.
Na primeira ordem, encontram-se os Espíritos puros, que não sofrem mais influência da matéria. Eles possuem absoluta superioridade intelectual e moral sobre os espíritos de outras ordens.
Nesta ordem está a primeira classe. Esses espíritos percorreram todos os graus da escala e desapegaram-se de todas as impurezas da matéria. Por terem atingido a soma de perfeição de que é suscetível, esses espíritos não precisam mais passar por provações ou expiações; não estão sujeitos à reencarnação. Para eles, a vida é eterna no seio de Deus. Eles desfrutam de uma felicidade inalterável, porque não estão sujeitos nem às necessidades, nem às adversidades da vida material; mas essa felicidade não é a de uma ociosidade monótona. Eles são os mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Ajudam os espíritos de outras classes a aperfeiçoarem-se e lhes atribuem a sua missão. Para eles, o auxílio aos homens em suas angústias é uma grata ocupação. Esses espíritos também são chamados de anjos, arcanjos ou serafins, e os homens podem comunicar-se com eles, mas seria muita presunção querer tê-los constantemente sob suas ordens.
Diante de tudo isso, compreende-se que a classificação dos Espíritos revela uma verdadeira escala de evolução, na qual todos se encontram em processo de aprendizado e aperfeiçoamento. Desde os Espíritos imperfeitos, ainda presos às influências da matéria e às imperfeições morais, passando pelos bons Espíritos, que já demonstram o predomínio do bem e o desejo sincero de auxiliar, até alcançar os Espíritos puros, que atingiram a plenitude espiritual, percebe-se um caminho contínuo de crescimento.
Esse entendimento nos leva a refletir que ninguém permanece para sempre na mesma condição. Todos os Espíritos estão destinados ao progresso, avançando gradualmente à medida que desenvolvem a inteligência, moralidade e amor. Assim, mais do que uma simples classificação, essa escala nos convida à responsabilidade pelos nossos pensamentos, escolhas e atitudes, mostrando que o verdadeiro avanço espiritual está na prática do bem, no esforço constante de melhoria interior e na busca por viver de forma mais alinhada com as leis divinas.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.