O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos” | Capítulo 2 “Da encarnação dos Espíritos”
Materialismo, questões 147 e 148
As questões 147 e 148 de O Livros dos Espíritos abordam criticamente o materialismo — conceito que reduz o pensamento, a vida moral e a consciência às funções puramente materiais do organismo. O materialismo afirma que a mente é produto exclusivo do cérebro e que, portanto, tudo o que o homem é decorre da matéria; vem daí também a negação da existência do Espírito imortal.
O Livro dos Espíritos contrapõe essa visão em dois planos: teórico e prático. No plano teórico, afirma-se que, embora o cérebro seja o órgão pelo qual o pensamento se manifesta, ele não é a sua origem. O Espírito, princípio inteligente e imaterial, é a fonte do pensamento; o cérebro funciona como instrumento do Espírito; um condutor e condicionador das manifestações mentais. As evidências descritas pelo Espiritismo incluem fenômenos que não são compatíveis com o materialismo: manifestações mediúnicas, lembranças e tendências que persistem apesar de lesões cerebrais, experiências que apontam para uma continuidade da consciência além da morte corporal. Tais fatos indicam que a explicação puramente material é insuficiente para abarcar toda a realidade psíquica.
No plano prático e ético, as consequências do materialismo são também criticadas. Se a consciência, a moralidade e a responsabilidade forem apenas efeitos da matéria, perde-se a base racional para a prestação de contas moral e para a evolução espiritual. O Espiritismo sustenta que a crença na imortalidade e na responsabilidade reforça princípios éticos e promove o progresso moral. Por outro lado, o materialismo tende a justificar que, após a morte, o homem se reduz ao nada.
Além disso, o Espiritismo distingue com precisão entre as evidências físicas observadas, pelo fato de que o cérebro correlaciona-se com fenômenos mentais e a explicação das causas, isto é, não é o cérebro que produz o pensamento. Sendo assim, há uma confusão entre correlação e causalidade: o pensamento se manifesta por meio do cérebro, mas o cérebro não é a causa do pensamento. A existência do perispírito, envoltório semimaterial que liga Espírito e corpo, é apresentada como conceito explicativo que resolve essa aparente contradição: ele faz a ponte entre o imaterial e o material, permitindo que o Espírito se manifeste sem que a vida psíquica seja reduzida à matéria.
Em resumo, o Espiritismo rejeita o materialismo como explicação plena da realidade humana. Ao defender a prioridade do Espírito sobre a matéria, enquanto fonte do pensamento e da moralidade, a perspectiva espírita propõe uma visão em que o corpo é um instrumento, o perispírito o elo, e o Espírito a origem da consciência e da responsabilidade. Essa abordagem visa não só esclarecer a natureza do homem, mas também afirmar as bases de uma ética que ultrapassa o meramente físico.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.