O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos espíritos” | Capítulo 11 “Os três reinos”
Os animais e o homem, questões 607 a 610
O Espiritismo apresenta uma visão progressiva da criação. Nas questões 607 a 610 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec e os Espíritos Superiores revelam o estado inicial da alma e seu processo de desenvolvimento.
A alma, em sua primeira encarnação, encontra-se em estado comparável ao da infância na vida corporal: uma inteligência que apenas desabrocha e ensaia os primeiros passos da experiência. Essa fase preparatória não se dá diretamente na condição humana, mas em uma série de existências anteriores, em mundos e formas de vida que precedem a Humanidade. É nesse estágio que o princípio inteligente se elabora e se individualiza pouco a pouco, adquirindo aptidão para a vida consciente.
Assim como a semente atravessa o processo da germinação até tornar-se fruto maduro, o princípio inteligente passa por transformações sucessivas até alcançar a condição de Espírito humano. Ao ingressar no período da humanização, inicia-se a consciência moral, a responsabilidade dos atos e a capacidade de distinguir o bem do mal. Trata-se de uma passagem natural e progressiva, em que a infância espiritual evolui, pode-se dizer, para a adolescência, juventude e maturidade. Uma visão que enaltece a sabedoria e a bondade de Deus, que nada cria sem finalidade.
O início do período humano não acontece necessariamente na Terra, mas em mundos ainda mais inferiores. Contudo, em casos excepcionais, pode haver Espíritos que, desde o início, estejam aptos a viver na Terra.
O espírito, após a morte do corpo, não tem consciência espiritual, nem lembranças das fases anteriores ao período humano, assim como o ser encarnado não recorda os primeiros tempos da infância ou da gestação. Por isso, os Espíritos costumam dizer que não sabem como começaram. Ainda assim, vestígios desse estado primitivo podem se manifestar nas primeiras gerações humanas, demonstrando que a natureza não opera por bruscas transições. Esses resquícios, entretanto, desaparecem gradualmente à medida que o Espírito progride e desenvolve o livre-arbítrio, despertando a consciência de si mesmo.
Por fim, a espécie humana é considerada um ser à parte na criação, não por estar desligada da cadeia universal, mas porque possui faculdades que a distinguem dos demais seres que lhe conferem um destino singular. A espécie humana é a que Deus escolheu dos seres que podem conhecê-Lo, estabelecendo, assim, a ligação entre a criatura e o Criador.
Em resumo, essas questões revelam uma visão harmônica da evolução: a alma nasce simples e ignorante, percorre estágios preparatórios no princípio inteligente, ingressa na Humanidade com novas responsabilidades e, pela lei do progresso, caminha rumo à perfeição espiritual.
Segundo Allan Kardec, na Introdução de O Livro dos Espíritos: “A encarnação dos Espíritos tem sempre lugar na espécie humana; seria um erro acreditar que a alma ou Espírito pode encarnar no corpo de um animal.” Essa passagem deixa claro que o Espírito humano encarna apenas em corpos humanos e que não há retrocesso para formas animais após alcançar a condição humana.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.