O Livro dos Espíritos | Livro 4 “Esperanças e consolações” | Capítulo 2 “Punições e prazeres futuros”
Paraíso, inferno e purgatório, questões 1015 a 1019
Neste artigo vamos abordar as questões 1015 a 1019 de “O Livro dos Espíritos”. Estas questões falam sobre a natureza da alma, o significado espiritual do céu, o destino dos espíritos e a transformação moral que conduzirá o mundo à regeneração.
Entre os ensinamentos apresentados, encontramos a explicação sobre o que se entende por uma alma penada. Trata-se de uma alma errante e sofredora, que ainda não encontrou seu caminho definitivo e vive a incerteza sobre seu futuro. Essas almas, muitas vezes, se comunicam com os encarnados buscando alívio para suas dores. A prece sincera e o sentimento de compaixão podem ajudá-las a encontrar paz e a prosseguir em sua jornada de progresso.
O Céu não é um lugar fixo, cercado por nuvens e tronos dourados, mas sim o espaço universal, repleto de planetas, estrelas e mundos superiores, onde os espíritos desfrutam de todas as suas faculdades e vivem livres das angústias e das provas materiais.
Muitos espíritos relatam habitar “o quarto” ou “o quinto céu”. Essas expressões não designam lugares específicos, mas diferentes graus de purificação e de felicidade.
Segundo Kardec, a ideia limitada dos lugares das penas e recompensas e que a Terra era o centro do Universo, estabeleceu que onde estão as estrelas, é o céu e o que está abaixo é o inferno; por isso as expressões “subir ao céu”, “jogado no inferno”, mas a Ciência demonstrou que a Terra é um dos menores mundos, entre milhões; provou que o espaço é infinito; que no Universo não existe alto e baixo e coube ao Espiritismo explicar de forma racional e consoladora que cada um carrega dentro de si seu paraíso, seu inferno e a sua encarnação é o seu purgatório.
Quando Jesus afirmou: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36), suas palavras foram ditas em sentido figurado. O Cristo quis ensinar que seu reino não pertence às glórias terrenas, mas aos corações puros e desinteressados, onde reina o amor e a prática do bem.
Segundo São Luís, o bem reinará um dia na Terra. Esse tempo virá quando os Espíritos bons prevalecerem sobre os maus, fazendo triunfar o amor e a justiça, que são as fontes da verdadeira felicidade. O homem, ao praticar as leis divinas e avançar moralmente, atrairá para o planeta espíritos mais elevados e afastará os que se agradam no mal. No entanto, essa transição exigirá esforço e renovação interior, pois os maus só partirão quando o orgulho e o egoísmo forem banidos do coração humano. Com o progresso, a Humanidade se transformará. Espíritos mais puros virão habitar a Terra, constituindo uma nova geração. Aqueles que ainda resistirem à luz e perturbarem o avanço moral serão conduzidos a mundos novos, menos avançados, para desempenhar penosas missões, onde poderão trabalhar pelo seu próprio progresso e dos mais atrasados.
Aos homens de fé e boa vontade, cabe trabalhar com coragem na grande obra da regeneração humana. Aquele que fecha os olhos à luz enfrentará longos períodos de trevas e decepções; aquele que coloca todas as suas alegrias nos bens do mundo terreno, passará por mais privações do que prazeres; aí dos egoístas porque não encontrarão ninguém que os ajude.
Essas lições revelam que o céu e o inferno não são lugares distantes, mas condições do Espírito, moldadas por suas ações e sentimentos. A alma penada é o símbolo da imperfeição em busca de luz; o Céu, a recompensa do dever cumprido; e o futuro da Terra, a promessa de um mundo regenerado pelo amor.
Assim, o Espiritismo nos ensina que a verdadeira elevação está dentro de nós mesmos, e que o Reino de Deus começa onde floresce o bem no coração humano.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.