O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos” | Capítulo 1 “Os Espíritos”
Progressão dos Espíritos, questões 114 a 127
O artigo de hoje convida a uma reflexão profunda sobre as questões 114 a 127 de O Livro dos Espíritos, que exploram a jornada da progressão espiritual. Compreendemos, a partir dessas lições, que Deus criou todos os espíritos simples e ignorantes, atribuindo a cada um a missão de se iluminar.
O objetivo final é que todos alcancem, gradualmente, a perfeição por meio do conhecimento da verdade, aproximando-se cada vez mais do Criador. Esse aprendizado, no entanto, não ocorre de forma passiva; os espíritos adquirem sabedoria ao atravessar diversas provas fundamentais para seu amadurecimento.
Em sua origem, os espíritos assemelham-se a crianças, marcados pela inexperiência, mas que vão acumulando conhecimento ao vivenciar as diferentes fases da existência. É reconfortante saber que todos se tornarão perfeitos, pois não existem seres destinados a permanecer eternamente nas classes inferiores, embora essa transição ocorra de maneira lenta. O que dita a velocidade desse progresso rumo à plenitude é a vontade do próprio espírito: a jornada será mais rápida ou mais demorada conforme o seu desejo pessoal e a sua submissão à vontade divina.
Um ponto essencial nessa trajetória é que o espírito pode até estagnar em sua evolução, mas nunca retrocede. À medida que avança, ele passa a compreender com clareza o que antes o afastava da perfeição e, uma vez que supera uma prova, o conhecimento adquirido é integrado definitivamente e jamais esquecido. Nesse contexto, a desigualdade entre os espíritos mostra-se necessária, pois as diferentes missões desempenhadas por cada um atendem aos desígnios de Deus para manter a harmonia do Universo. Além disso, se os espíritos já fossem criados perfeitos, não haveria o mérito individual de desfrutar os benefícios dessa conquista.
Segundo Allan Kardec, existe uma distinção clara entre a vida corporal e a vida espiritual. Enquanto a primeira é limitada no tempo, a segunda é indefinida, oferecendo a todos a oportunidade constante de subir aos níveis mais altos e atingir o posto supremo. É importante notar que todos os espíritos passam pelo mal para chegar ao bem, não por uma maldade intrínseca, mas por pura ignorância. Deus criou os seres com aptidão tanto para o bem quanto para o mal, e aqueles que escolhem o caminho equivocado o fazem por decisão própria.
Dessa forma, o livre-arbítrio desenvolve-se à medida que o espírito adquire consciência de si mesmo. As escolhas feitas são influenciadas pelo seu nível de resistência às sugestões externas, especialmente de espíritos imperfeitos que buscam dominá-lo. Essa influência externa persiste até que o indivíduo desenvolva controle total sobre si. A sabedoria divina reside justamente nessa liberdade de escolha: Deus permite que os espíritos sigam até caminhos tortuosos para que cada um detenha o mérito de suas próprias obras.
Na escala evolutiva, entre o bem e o mal absolutos, existem inúmeros graus, e a grande maioria dos espíritos encontra-se justamente entre esses dois extremos. Mesmo aqueles que optaram pelo caminho do mal chegarão ao mesmo nível de superioridade que os demais, embora para eles a sensação de eternidade no sofrimento seja mais longa. Kardec observa que os espíritos inferiores costumam acreditar na perpetuidade de suas dores, pois ainda não conseguem enxergar o fim de seu ciclo de provações, revivendo essa angústia cada vez que falham.
Contudo, ao atingirem o grau supremo de perfeição, aqueles que enfrentaram os caminhos mais difíceis não possuem menor mérito. Deus os vê e os ama com a mesma intensidade, reconhecendo que foram chamados de "maus" apenas porque sucumbiram temporariamente às fraquezas. Todos os espíritos são criados com as mesmas faculdades intelectuais latentes e, embora progridam em ritmos diferentes tanto em inteligência quanto em moralidade, o livre-arbítrio sempre segue seu curso. Por fim, vale ressaltar que mesmo os espíritos que escolhem o bem desde o início não são considerados perfeitos de imediato; embora não possuam más tendências, eles ainda precisam acumular a experiência e o conhecimento necessários para alcançar a verdadeira perfeição.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.