Quando a mágoa mora na mesma casa
O que você tem alimentado dentro do seu lar: reconciliação ou ressentimento?
Nem toda distância dentro de casa vem de desentendimentos. Às vezes nasce de palavras mal resolvidas e de feridas que ficam sem ser tratadas. O ressentimento vai se instalando devagar, e o afeto vai perdendo espaço no convívio diário. A rotina continua, os compromissos seguem, mas o que sustenta a relação vai desaparecendo.
Jesus ensinou que a reconciliação não pode ser adiada: "Vá primeiro reconciliar-se com seu irmão" (Mateus 5:24). Antes de qualquer outro dever, a relação ferida precisa ser tratada. Deixar para depois é escolher o acúmulo e o não perdão.
Antes de dar esse passo, a prece é um recurso indispensável. Pela prece, obtém-se o auxílio dos bons Espíritos e a força moral necessária para agir com equilíbrio (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII, item 11). Ela prepara o espírito para dialogar sem ressentimento.
O Espiritismo distingue o perdão declarado do perdão genuíno. Conforme o cap. X, item 15 de O Evangelho segundo o Espiritismo, o verdadeiro perdão se reconhece muito mais pelos atos do que pelas palavras. Dizer que perdoou sem mudar a forma de tratar a pessoa é manter a mágoa sob outra forma.
Famílias se desgastam quando ninguém dá o primeiro passo. A mágoa ocupa o espaço que deveria ser do diálogo e do cuidado, e as pessoas chegam a dividir o mesmo lar vivendo distantes uma da outra. Esse distanciamento se constrói em silêncio, numa escolha feita dia após dia.
O que você tem alimentado dentro do seu lar: reconciliação ou ressentimento?
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia