Ana e o Nascimento de Samuel
Provas, Oração Sincera e Missão Espiritual
O relato sobre Ana mostra a experiência de uma mulher diante da dor de não ter filhos e da rivalidade familiar. À luz do Espiritismo, a história vai além do fato em si, revelando lições sobre fé, desapego, cumprimento de promessas e a orientação divina recebida para dedicar seu filho ao serviço de Deus, mostrando que decisões importantes devem ser assumidas com responsabilidade e compromisso moral na preparação de Espíritos para a missão que devem cumprir na Terra.
Havia um homem da tribo de Efraim, chamado Elcana, que vivia na cidade de Ramá, na região montanhosa de Efraim.
Elcana tinha duas mulheres: Penina, com quem tinha filhos, e Ana, que ainda não tinha.
Elcana amava muito Ana, embora o Senhor não permitisse que ela tivesse filhos.
Penina, sua rival, provocava Ana constantemente por causa disso. E isso acontecia ano após ano. Sempre que iam ao santuário do Senhor, em Siló, Penina irritava Ana, que ficava chorando e não comia nada.
Um dia, seu marido Elcana lhe perguntou:
— Ana, por que você está chorando? Por que não come? Por que está sempre triste? Por acaso, eu não sou melhor para você do que dez filhos?
Certa vez estavam em Siló e tinham acabado de comer. Eli, o sacerdote, estava sentado em sua cadeira, na porta da Tenda Sagrada.
Ana se levantou aflita e, chorando muito, orou ao Senhor, fazendo uma promessa:
— Ó Senhor Todo-Poderoso, olha para mim, Sua serva! Lembre-se de mim! Se o Senhor me der um filho, prometo que o dedicarei ao Senhor por toda a vida e que nunca cortará o cabelo.
Ana continuou orando ao Senhor durante tanto tempo que Eli começou a prestar atenção nela e notou que seus lábios se mexiam, mas nenhum som saia. Eli pensou que ela estava bêbada e disse:
— Até quando você vai ficar embriagada? Pare de beber!
Ela respondeu:
— Senhor, não estou bêbada. Não bebi nem vinho nem bebida forte. Estou desesperada e orando ao Senhor.
Eli disse:
— Vá em paz. Que o Deus de Israel lhe dê o que você pediu!
Ela respondeu:
— Que o senhor sempre pense bem de mim!
Na manhã seguinte, Elcana e sua família se levantaram cedo e adoraram ao Senhor Deus. Voltaram então para casa, em Ramá.
Elcana teve relações com sua esposa Ana, e o Senhor respondeu à oração dela. Ana ficou grávida e, no tempo certo, deu à luz um filho e pôs nele o nome de Samuel.
Elcana e a família foram a Siló para oferecer ao Senhor o sacrifício anual e o sacrifício especial que havia prometido.
Ana, porém, disse:
— Assim que o menino for desmamado, eu o levarei ao santuário do Senhor, para que ele fique lá toda a sua vida.
Elcana respondeu:
— Faça o que achar melhor. Fique em casa até que ele seja desmamado.
Ana ficou em casa e amamentou Samuel. Depois que ele foi desmamado, ela e Elcana o levaram até Siló.
Ana disse:
o Senhor — Senhor, juro pela sua vida que sou aquela mulher que esteve aqui orando. Eu pedi esta criança ao Senhor, e me deu o que pedi. Por isso agora a dedico ao Senhor. Enquanto ele viver, pertencerá ao Senhor.
Eles adoraram ao Senhor ali e voltaram para casa, mas o menino Samuel ficou em Siló, como ajudante do sacerdote Eli, a serviço de Deus.
À luz do Espiritismo, a história de Ana oferece lições profundas sobre provas, oração sincera, desapego, planejamento reencarnatório e mediação espiritual, mostrando a ação da Providência Divina e dos Espíritos superiores.
A prece de Ana é comunhão intensa com Deus, refletindo o ensinamento de Jesus de que a oração deve ser feita com sinceridade, humildade e em segredo. Ana demonstra que a intenção do coração é mais importante que fórmulas externas, muitas vezes, ditas em voz alta. A prece fervorosa atrai auxílio espiritual, fortalece a alma e permite suportar provas e expiações (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos — LE, q. 614; Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo — ESE, cap. XXVII).
A esterilidade de Ana e as provocações de Penina representam provas permitidas pelo plano divino, possivelmente relacionadas a expiações de vidas passadas. A paciência e resiliência de Ana interrompem o ciclo de ódio, de acordo com a Lei de Amor (LE, q. 618, 621; ESE, cap. III, itens 5–6; cap. V, itens 18–20).
O voto de Ana de entregar Samuel ao serviço do Senhor foi assumido voluntariamente diante de Deus e cumprido fielmente após o nascimento do filho, conforme registra o texto bíblico. Para a época, o gesto era socialmente aceitável, mas exigia seriedade, pois compromissos assumidos diante de Deus não podem ser tratados sem comprometimento e como decisões impulsiva.
À luz do Espiritismo, esse ato expressa desapego e consciência de que os filhos não pertencem aos pais, mas são Espíritos com missão própria, confiados temporariamente à sua guarda para orientação e educação moral (LE, q. 208; q. 379).
O nascimento de Samuel não ocorreu por acaso nem como “milagre”, mas pode ser compreendido, à luz do Espiritismo, como resultado da ação da Providência Divina, permitindo a reencarnação de um Espírito destinado a exercer, futuramente, papel relevante como profeta, juiz e médium, atuando na condução moral e religiosa do povo de Israel, conforme o relato bíblico.
A súplica silenciosa de Ana no templo e o cumprimento voluntário do voto assumido diante de Deus evidenciam a sintonia da vontade humana com a ação divina, sem anular a responsabilidade moral do indivíduo diante dos compromissos que assume (LE, q. 540).
Ana transformou sua dor em busca espiritual, sem revidar contra Penina. Sua conduta revela vigilância interior, resistência às influências negativas e capacidade de converter o sofrimento em aprendizado moral, de acordo com os princípios espíritas da resignação diante das provas e da vigilância sobre os próprios pensamentos e sentimentos (ESE, cap. V, itens 18–20; cap. XXVII, item 4).
Após o nascimento de Samuel, Ana demonstrou gratidão a Deus pelo que havia recebido, e pelo cuidado e confiança que Ele depositou nela.
Embora não descrito nos capítulos 1–2, o desenvolvimento posterior da narrativa bíblica mostra Samuel, ainda criança, ouvindo a voz do Senhor no templo (1 Samuel 3).
À luz da Doutrina Espírita, esse episódio pode ser interpretado como manifestação de audiência espiritual, indicando a missão mediúnica que caracterizaria sua atuação futura como profeta e juiz de Israel, conforme os princípios da ação dos Espíritos na história humana (LE, q. 540).
O momento em que Eli abençoa Ana pode ser interpretado como um passe magnético ou ação fluídica, influenciando positivamente o perispírito de Ana e preparando-a para a concepção de um Espírito de elevada linhagem, como Samuel (LE, q. 393, 618; ESE, cap. XXVII, itens 4–6; 1 Samuel 1:17).
A narrativa de Ana mostra que as dificuldades da vida não são castigos arbitrários, mas oportunidades de crescimento, aprendizado e preparação para cumprir missões superiores.
A ligação Ana – Deus – Samuel evidencia que a prece sincera, o desapego, a obediência e a sintonia moral são essenciais para a evolução do Espírito e a realização de propósitos divinos.
Samuel, desde a concepção, foi orientado e protegido para se tornar um instrumento de Deus, mediando a comunicação entre os planos espiritual e terreno, e liderando o povo de Israel conforme a vontade divina.
O exemplo de Ana e Samuel reforça o ensino de Jesus sobre a oração, a fé sincera e a entrega ao propósito divino, mostrando que as ações humanas devem sempre estar em sintonia com a Lei de Deus.
Equipe Jesus em Nossa Vida
Bibliografia
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 3 ed. França.
Bíblia Sagrada. 1 Samuel 1. Nova Versão Internacional (NVI).
Material de apoio
BÍBLIA VIDA FÉ. O segredo que transformou a oração de Ana em milagre. YouTube, canal @bibliavidafe-shorts, 12 dez. 2025. Disponível em: <https://www.youtube.com/shorts/mIP3DfAMq30?feature=share>. Acesso em: 4 jan. 2026.