Elias no Monte Carmelo
A Fé Lúcida em Confronto com a Ilusão
O estudo da passagem de Elias no Monte Carmelo, sob a ótica do Espiritismo, revela ensinamentos profundos sobre missão espiritual, a lei dos fenômenos da Natureza e a urgência da reforma moral.
O rei Acabe reuniu todo o povo de Israel e os profetas de Baal no monte Carmelo.
Elias então se aproximou do povo e perguntou: — Até quando vocês vão ficar indecisos? Se o Senhor é Deus, sigam o Senhor; mas, se Baal é deus, sigam Baal. O povo ficou em silêncio.
Elias continuou dizendo que era o único profeta do Senhor que havia restado, enquanto os profetas de Baal eram quatrocentos e cinquenta. Então propôs uma prova: Dois touros seriam preparados, um pelos profetas de Baal e outro por ele. Mas ninguém poderia por fogo no altar. Cada lado deveria orar ao seu deus, e o Deus que respondesse com fogo seria reconhecido como o verdadeiro Deus. O povo concordou.
Os profetas de Baal começaram. Prepararam o touro e oraram desde manhã até o meio-dia, gritando: — Baal, responde! Dançaram ao redor do altar, mas não houve resposta.
Ao meio-dia, Elias começou a zombar: — Gritem mais alto! Ele é deus, não é? Talvez esteja pensando, viajando, dormindo ou até no banheiro! Eles gritaram ainda mais e continuaram até o fim da tarde, mas não houve resposta, nenhum sinal, nada.
Então Elias chamou o povo para perto e pegou doze pedras, número correspondente às doze tribos de Israel, descendentes de Jacó, a quem Deus havia dado o nome de Israel. Ele reconstruiu o altar do Senhor com essas pedras. Preparou o sacrifício e mandou jogar água sobre o animal e a lenha três vezes. A água escorreu e encheu a valeta ao redor do altar.
Na hora do sacrifício da tarde, Elias orou: — Senhor, Deus de Abraão, Isaque e Jacó, mostra hoje que Tu és Deus, que eu sou Teu servo e que tudo o que fiz foi conforme a Tua ordem. Responde para que este povo reconheça quem Tu és.
Então o fogo do Senhor caiu e consumiu o sacrifício, a lenha, as pedras, a terra e até secou a água da valeta. Ao verem isso, todos se ajoelharam e declararam: — O Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!
A visão espírita de Elias no Monte Carmelo enfatiza o confronto moral, religioso e espiritual entre a fé autêntica e crenças desviadas.
Por que o povo abandonou o Deus único?
O povo havia se afastado do culto ao Deus único porque o rei Acabe, influenciado por Jezabel, introduziu e incentivou o culto a Baal, levando Israel à profunda confusão religiosa e moral. Essa adesão à idolatria não foi apenas um erro político, mas uma escolha moral e espiritual que desviou a nação da Lei Divina, criando o cenário de crise onde a intervenção de Elias se fez necessária.
A narrativa de Elias no Monte Carmelo se desdobra em três eixos principais: os Fenômenos, a Conexão e a Moral.
1. Os Fenômenos: O Fogo do Céu e a Lei da Natureza
O fenômeno do fogo que consome o altar é explicado pelo Espiritismo como uma intervenção espiritual elevada, subordinada às leis da Natureza e aos desígnios divinos.
O que é o "Fogo de Deus"? O fogo simboliza a Verdade e a Luz Moral que dissolve a ignorância, o fanatismo e as ilusões. Doutrinariamente, não se trata de uma ação arbitrária de Deus, mas de um fenômeno orquestrado por Espíritos Superiores que atuam para fins instrutivos e pedagógicos. O objetivo era esclarecimento, não punição.
Isto Pode Ocorrer? Como? Sim. Elias, como Espírito missionário, possuía grande envergadura moral e era um médium de efeitos físicos altamente dotado. O fenômeno é uma manifestação da mediunidade em larga escala.
Mecanismo: Os Espíritos Superiores manipularam o fluido cósmico universal e o fluido vital (energia dos presentes) para provocar uma combustão instantânea de grande intensidade (A Gênese, Cap. 13, item 17).
Permissão Divina: A efetivação do fenômeno, mesmo com a capacidade mediúnica de Elias, dependeu da Vontade Soberana de Deus. Deus permite que todos os fenômenos ocorram para atender aos Seus propósitos evolutivos. A ausência de Sua permissão inviabilizaria a manifestação, pois nada se opera na Natureza sem o consentimento divino e fora das leis que Ele estabeleceu (O Livro dos Espíritos, Pergunta 540). O ato de encharcar o altar serviu justamente para ressaltar que a força vinha do Alto, demonstrando a absoluta dependência da Permissão Divina.
2. A Conexão: Elias, o Precursor de Jesus
O episódio no Monte Carmelo é um marco preparatório para a Revelação Divina, cujo ápice é Jesus, o Guia e Modelo da Humanidade.
Missão Contínua: Elias representa o Espírito missionário (LE 573) que se manifesta mais tarde como João Batista (Mt 11:14), cuja missão era "preparar o caminho" para o Cristo, chamando à reforma íntima.
Convergência de Revelações: A aparição de Elias (a Profecia) ao lado de Moisés (a Lei) e do Mestre na Transfiguração (Mt 17:3) demonstra a continuidade das missões reencarnatórias. O Mestre, ao final, aperfeiçoa a Lei e a Profecia com o Evangelho de Luz (Amor e Caridade).
Base Moral: A ação de Elias no Monte Carmelo é a base moral e teológica que resgata o monoteísmo e o discernimento, preparando o terreno espiritual e mental do povo para receber os ensinamentos do Mestre.
O episódio é uma profunda jornada de evolução e discernimento moral do Espírito.
O Conflito Interior: A pergunta "Até quando vocês vão ficar indecisos?" é a convocação à escolha consciente. A indecisão reflete a luta interna do Espírito entre a influência do bem e do mal (LE 459).
A Reforma Íntima: A reconstrução do altar com doze pedras simboliza a reorganização da consciência moral do indivíduo: é a necessidade de retomar os valores, restaurar o discernimento e a unidade espiritual perdida (ESE, Cap. 17).
Sintonia Espiritual: O silêncio de Baal e o desespero de seus profetas demonstram a esterilidade das práticas baseadas em superstição e a sintonia inferior, que não alcançam o auxílio dos Espíritos Superiores. A serenidade e a retidão da prece de Elias demonstram a sintonia elevada e a eficácia da intenção reta (ESE, Cap. 27).
Conversão pela Lucidez: O reconhecimento final do povo, "O Senhor é Deus!", é fruto do despertar moral e da compreensão esclarecida após testemunhar o fenômeno (LE 115–122).
O episódio do Monte Carmelo revela que a verdadeira força espiritual nasce da fidelidade à lei divina, da reforma interior e da sintonia com o bem.
Elias, como consciência desperta, exemplifica a coragem e o dever do Espírito missionário, que age para restaurar a ordem moral, preparando o caminho para o advento do Cristo.
A passagem simboliza o embate permanente do Espírito com as ilusões e influências contrárias ao bem. Sua vitória reside no triunfo da fé lúcida, racionalizada e esclarecida, que conduz à evolução e ao alinhamento com a Lei de Amor.
Equipe Jesus em Nossa Vida
Bibliografia
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 3 ed. França.
KARDEC, Allan. A Gênese. 4 ed. França.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 4 ed. França.
Bíblia Sagrada. 1 Reis 18:20-39. Nova Versão Internacional (NVI).
Material de apoio
BÍBLIA VIDA FÉ. O Duelo de Fogo no Monte Carmelo!. YouTube, canal @bibliavidafe-shorts, 31 out. 2025. Disponível em: <www.youtube.com/shorts/zjlO1ZMqKH0?feature=share>. Acesso em: 6 dez. 2025.