Sansão
Durante o domínio filisteu, um anjo apareceu à esposa de Manoá, que era estéril, e anunciou que ela conceberia um filho destinado a iniciar a libertação de Israel. A criança deveria ser nazireu desde o ventre, consagrado a Deus, devendo observar abstinência e jamais cortar o cabelo.
O menino nasceu e recebeu o nome de Sansão. O menino cresceu, e o Senhor o abençoou. Quando Sansão estava no campo de Dã, entre Zorá e Estaol, começou a sentir que o Espírito do Senhor o dirigia.
Mais tarde, Sansão quis casar-se com uma mulher filisteia, escolha que contrariou seus pais, mas fazia parte de um propósito maior ligado ao conflito com os filisteus.
Ele despedaçou um leão com as próprias mãos, venceu trinta homens, enfrentou emboscadas e derrotou mil adversários usando uma queixada de jumento. Sua força conviveu com fragilidades pessoais, especialmente em relacionamentos, que se tornaram ponto de entrada para conflitos e perigos.
Em Gaza, Sansão esteve com uma mulher da cidade; os filisteus o cercaram, mas ele escapou carregando as portas da cidade.
Mais tarde, apaixonou-se por Dalila, que foi subornada para descobrir a origem de sua força. Após várias tentativas, Sansão revelou que a força estava ligada ao voto de nazireu e ao fato de nunca ter cortado o cabelo. Dalila então mandou cortar os cabelos de Sansão e o entregou aos filisteus.
Sansão perdeu a força, teve os olhos perfurados e foi levado ao cárcere para trabalhos forçados. Com o tempo, seus cabelos começaram a crescer.
Durante uma celebração no templo de Dagom, Sansão foi exibido aos filisteus. Após uma prece pedindo forças, apoiou-se nas colunas centrais do templo e o derrubou, morrendo junto com os filisteus.
1. A prova de Sansão
A vida de Sansão se organizou em torno de um compromisso: usar a força como instrumento de libertação, não como impulsos pessoais. Sua prova estava na disciplina, vigilância moral e fidelidade ao voto assumido antes do nascimento. O desafio surgia quando tomava decisões por conta própria, sem elevar o pensamento, afastando-se da inspiração superior.
O nascimento e a missão de Sansão indicam compromisso assumido no plano espiritual antes da reencarnação (O Livro dos Espíritos, questões 132 e 258).
A trajetória ocorreu em contexto de opressão dos filisteus, quando a força física era recurso de defesa. O Céu e o Inferno, 2ª parte, explica que provas de coragem podem ser permitidas conforme o estágio evolutivo da Humanidade.
2. A força como missão, não privilégio
A força não é recompensa, mas recurso para serviço (A Gênese, cap. XVII). Em Sansão, devia favorecer a resistência de Israel. Deus concedeu força incomum não para vaidade ou agressão pessoal, mas para cumprir a missão de libertar Israel. Espíritos superiores podem atuar sobre a matéria quando a ação está em harmonia com a lei divina (A Gênese, cap. XIV).
3. Nazireato e disciplina espiritual
O voto de nazireu simbolizava consagração, disciplina e compromisso moral. Quando foi rompido, Sansão perdeu a sintonia espiritual e a força. A recuperação ocorreu ao buscar novamente a ligação com Deus (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII).
4. Decisões precipitadas e perda de direção
Escolhas guiadas pelo impulso, relações movidas pela paixão e confiança irrefletida abrem caminhos de vulnerabilidade. O afastamento de Deus antecede a queda moral; a prece marca o retorno ao eixo (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVII).
5. A traição como consequência
A entrega de Sansão aos inimigos resultou de fragilidade emocional. A traição de Dalila ocorreu porque ele se expôs, tornando-se vulnerável à influência de espíritos inferiores (O Livro dos Espíritos, questão 459). A queda moral não elimina a missão, mas mostra que força sem disciplina e sem ligação com Deus se dispersa.
6. O uso da violência no Antigo Testamento
A época de Sansão é marcada por conflitos resolvidos pela força. A revelação divina é progressiva (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I). Séculos depois, Jesus ensinou paz, misericórdia e não-retaliação, mostrando que a verdadeira força é moral. Mesmo ações socialmente aceitas no passado não refletem o modelo definitivo (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV).
7. A cegueira, o templo e a recuperação da força
A cegueira simboliza perda de direção moral. O templo de Dagom, usado em cerimônias e atos políticos, expôs Sansão em condição de derrota. Ao orar, ele restabeleceu a ligação com Deus, recuperou a força e derrubou as colunas centrais, cumprindo a missão. Dons só têm sentido quando guiados pela consciência e sintonia com Deus (A Gênese, cap. XIV; ESE, cap. XXVIII).
8. Força, disciplina e evolução espiritual
Capacidades extraordinárias não garantem maturidade moral. Progresso real surge quando o Espírito aprende a colocar sua força — física, intelectual ou emocional — sob direção elevada. Prece, vigilância e coerência preservam o equilíbrio.
9. A Lei de Causa e Efeito
A queda de Sansão (cegueira e prisão) não é apenas um "desvio de rota", mas uma consequência direta e inevitável de suas escolhas impulsivas e do rompimento de seus compromissos. A dor do cárcere funciona como um mecanismo de aprendizado e resgate.
10. O Livre-Arbítrio e a Responsabilidade
A história de Sansão é um estudo sobre como um Espírito com grandes capacidades e uma missão definida pode, pelo uso incorreto do livre-arbítrio (cedendo a paixões e impulsos), desviar-se temporariamente do seu caminho e sofrer as consequências, sem que a missão seja totalmente abortada.
11. A Dor como Instrumento de Purificação
A passagem pelo sofrimento (cegueira) é o que, de fato, o leva ao arrependimento e à prece final. A dor teve função pedagógica e purificadora (O Céu e o Inferno, 3ª parte), que o reconecta com Deus e permite o cumprimento final da missão, mesmo que através do sacrifício supremo.
Sansão mostra que dons especiais dependem de disciplina, vigilância e ligação constante com Deus.
Quedas surgem quando se age por impulso; o reerguimento acontece pela prece e pela sintonia com Deus.
A força física, usada em período marcado pela violência, não representa o ideal definitivo, que Jesus revelaria mais tarde: paz, amor e transformação moral.
A missão não se perde com a queda; restaura-se quando o Espírito retorna à disciplina e consciência.
Capacidade sem direção espiritual se desvia; a serviço do bem, cumpre sua finalidade.
A trajetória de Sansão exige coragem, vigilância e fidelidade ao propósito maior. A perfuração dos olhos simboliza a perda de visão moral, e a recuperação mostra que a verdadeira potência espiritual nasce do alinhamento entre dever, disciplina e propósito elevado.
Equipe Jesus em Nossa Vida
Bibliografia
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 3 ed. França.
Bíblia Sagrada. Juízes 13-16. Nova Versão Internacional (NVI).
Material de apoio
BÍBLIA VIDA FÉ. O segredo do homem mais forte de Israel foi revelado!. YouTube, canal @bibliavidafe-shorts, 24 out. 2025. Disponível em: <www.youtube.com/shorts/cpERbnK41sw?feature=share>. Acesso em: 30 nov. 2025.