A Doutrina Espírita não é criação humana. Para que a nova revelação alcançasse os homens com rapidez e autenticidade, Deus incumbiu os Espíritos de levá-la a todas as partes da Terra, sem distinção de nacionalidade, classe ou crença. A fonte da doutrina não está em uma única origem humana ou em um único livro, mas nos próprios Espíritos Superiores, que se comunicam em toda a Terra por meio dos médiuns.
Se a doutrina tivesse sido revelada a um só homem, nada garantiria sua origem: seria preciso acreditar na palavra de uma única pessoa. Mesmo admitindo sua plena sinceridade, ele poderia convencer os que o cercavam, mas nunca reunir todos. A fonte dessa comunicação não pode ser isolada nem silenciada, permanecendo acessível a qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. O Espiritismo não tem nacionalidade, não pertence a nenhum culto particular e não é imposto por nenhuma classe social. Ao se colocar em terreno neutro, convoca todos os homens à fraternidade sem produzir as divisões que outros sistemas geram.
Os Espíritos não se encontram no mesmo grau de desenvolvimento intelectual e moral. Os que estão graus inferiores não estão isentos de erro e podem transmitir conteúdos limitados ou equivocados. Há entre eles, como entre os homens, diferenças de compreensão e de julgamento, o que explica a diversidade natural de comunicações quando consideradas isoladamente. Apenas os Espíritos Superiores, completamente desmaterializados, estão livres dos preconceitos terrestres. São eles que fazem revelações com extrema sabedoria, abordando as questões da doutrina de forma gradual, à medida que a inteligência humana se torna apta a compreender verdades de ordem mais elevada.
O primeiro critério de análise de qualquer comunicação é a razão: tudo o que contradiz o bom senso e a coerência lógica deve ser rejeitado. O critério individual, porém, tem limites, pois depende das condições de quem analisa. A concordância obtida dentro de um mesmo centro mediúnico também não oferece garantia suficiente, pois os médiuns desse centro podem estar sob a mesma influência. A única garantia séria é a concordância espontânea entre revelações recebidas por médiuns sem contato entre si, em diferentes países, transmitindo os mesmos princípios sem qualquer coordenação prévia.
A experiência confirma esse critério. Quando um novo princípio deve ser estabelecido, ele é ensinado espontaneamente em diferentes pontos ao mesmo tempo. Sistemas parciais e excêntricos surgem, mas caem diante da unanimidade dos ensinamentos dados em todos os outros lugares. Foi essa unanimidade que fez desaparecer explicações isoladas surgidas no início do Espiritismo, quando diferentes interpretações tentavam explicar os fenômenos. O Espiritismo se consolida justamente pela predominância do ensino concordante.
Kardec não se coloca como árbitro supremo da verdade. O que valida um princípio não é a opinião de quem o formula, mas a sanção da concordância. Um princípio é considerado verdadeiro não porque alguém o ensina, mas porque recebeu a confirmação independente dos Espíritos em diferentes centros ao redor do mundo. Esse controle universal dos ensinamentos dos Espíritos é o critério pelo qual a doutrina se sustenta e avança.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 3 ed. França.Esta é uma livre interpretação.