A palavra "Evangelho" significa "boa notícia". No Cristianismo, designa os ensinamentos de Jesus registrados no Novo Testamento, nos livros de Mateus, Marcos, Lucas e João, com orientações morais sobre amor, perdão, justiça, humildade e convivência humana.
Publicado por Allan Kardec em Paris, em 1864, sob o título inicial de Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo, e revisado em sua edição definitiva de 1866 sob o nome atual, O Evangelho Segundo o Espiritismo reúne as máximas morais de Cristo, sua explicação em concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas situações da vida. A obra não se ocupa de milagres, dogmas ou controvérsias religiosas. Seu objeto é a dimensão moral do Evangelho, tratada como regra de conduta aplicável a todas as pessoas, independentemente de crença.
O livro surgiu num período marcado por questionamentos ao dogma religioso e pelo avanço do pensamento científico e filosófico. Nesse contexto, Kardec não propôs novas crenças: organizou os ensinamentos de Jesus sob o aspecto moral, relacionando-os aos princípios da imortalidade da alma, da reencarnação e da justiça divina, além de esclarecer passagens consideradas difíceis ou obscuras.
A composição seguiu o método da codificação espírita. Kardec não se apoiou em uma única fonte mediúnica. As instruções foram reunidas a partir de comunicações obtidas em diferentes países e por diversos médiuns, comparadas entre si e submetidas ao critério da concordância universal dos ensinamentos dos Espíritos superiores. O conteúdo foi organizado por temas, reunindo passagens dos Evangelhos acompanhadas de comentários que esclarecem seu sentido moral e mostram sua aplicação nas situações da vida.
A obra considera a vida como parte de uma existência contínua, o que amplia a compreensão da justiça divina para além da vida material e relaciona as experiências humanas a um processo de desenvolvimento do Espírito. O objetivo é mostrar como a moral de Jesus pode ser aplicada às diferentes situações da vida, orientando as relações familiares, sociais e espirituais. Entre as obras fundamentais da Doutrina Espírita, ela é utilizada em estudos individuais e coletivos, além de práticas de reflexão no lar, como o Evangelho no Lar.
Para Kardec, fé e razão não se opõem. A fé se fortalece quando pode ser examinada à luz da razão. Como ele mesmo escreveu, "a fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 19, item 7).
Jesus ocupa lugar central nessa obra. Kardec pergunta, na questão 625 de O Livro dos Espíritos, qual o tipo mais perfeito que Deus já ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo, e os Espíritos Superiores respondem: "Jesus." Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode aspirar na Terra (O Livro dos Espíritos, q. 625). É esse modelo moral, e não a discussão de sua natureza divina ou dogmática, que O Evangelho Segundo o Espiritismo se propõe a explicar e aplicar à vida cotidiana.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 3 ed. França.Esta é uma livre interpretação.