Allan Kardec não inventou o Espiritismo. Ele organizou, a partir de comunicações recebidas por médiuns em diferentes países, um conjunto de princípios ensinados pelos Espíritos Superiores. Essa origem coletiva e independente é o que distingue a Doutrina Espírita de qualquer sistema filosófico ou religioso construído por uma mente humana.
O ponto de partida é a estrutura do universo. Existem dois mundos: o visível, composto por seres materiais, e o invisível, composto por seres imateriais. O mundo espiritual é o mundo normal, eterno e preexistente. O mundo corporal é secundário e poderia deixar de existir sem alterar a essência do primeiro. O homem ocupa os dois mundos ao mesmo tempo: é composto pelo corpo físico, que perece com a morte; pela alma, ser imaterial e individual que sobrevive; e pelo perispírito, envoltório semimaterial que une os dois. Com a morte, o corpo se desfaz. O Espírito conserva o perispírito e retorna ao mundo espiritual de onde saiu.
Os Espíritos não são iguais. Diferenciam-se em inteligência, conhecimento e moralidade. Os de ordem elevada distinguem-se pela pureza de sentimento, pelo conhecimento e pelo amor ao bem. Os das classes inferiores são propensos ao vício, ao ódio e ao orgulho. Nenhum permanece para sempre no mesmo grau: todos evoluem, passando pelos diversos níveis da hierarquia espiritual, em encarnações sempre progressivas, até alcançar a perfeição absoluta. O progresso depende do empenho de cada Espírito em seu próprio aperfeiçoamento.
Os Espíritos não encarnados habitam o espaço e estão constantemente ao redor dos homens, exercendo ação contínua sobre o mundo moral e físico. Os bons inspiram o bem e fortalecem o homem nas provas da vida; os Espíritos inferiores procuram desviá-lo do bem. Essa influência pode ser oculta, agindo sobre o pensamento e as ações sem que o homem perceba, ou ostensiva, manifestando-se por meio dos médiuns. Existem médiuns de todas as idades, sexos e graus de instrução. Seu papel é passivo: funcionam como intermediários, não como fonte do que transmitem. Os Espíritos são atraídos pela natureza moral dos seres e do ambiente: onde há seriedade e amor ao bem, comparecem os superiores; onde há frivolidade, os inferiores encontram espaço.
Toda essa estrutura converge para um princípio moral único, ensinado pelos Espíritos Superiores e resumido na máxima do Cristo: fazer aos outros o que se deseja que façam a nós mesmos. Não é coincidência que o ensinamento espiritual e o ensinamento evangélico se encontrem no mesmo ponto. Para a Doutrina Espírita, essa convergência confirma a universalidade da lei moral.
Jesus ocupa lugar principal nessa moral. Para a Doutrina Espírita, Ele é o Espírito mais puro que já encarnou na Terra, o modelo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem. Seus ensinamentos não são apenas um entre vários exemplos de virtude: representam a mais elevada referência moral oferecida à Humanidade. Por isso, a moral espírita encontra no Evangelho sua base maior e, em Jesus, seu guia supremo.
A autenticidade da doutrina repousa exatamente nisso: não em uma única fonte, não em um único médium, mas na concordância espontânea entre comunicações recebidas independentemente em países e culturas diferentes. Essa concordância constitui uma garantia que nenhum ensinamento de fonte única poderia oferecer. São os próprios Espíritos que conduzem essa propagação, sem privilégios, sem intermediários exclusivos, alcançando todos os povos.
Estudar a Doutrina Espírita exige seriedade e método. Não se trata de leitura ocasional nem de perguntas feitas por curiosidade. A Ciência Espírita tem uma parte experimental, sobre as manifestações em geral, e uma parte filosófica, sobre as manifestações inteligentes.
Quem se aproxima apenas por curiosidade ou trata o assunto com superficialidade favorece a influência dos Espíritos inferiores. Quem estuda com seriedade, perseverança e sincero desejo de aprender, cria melhores condições para receber o ensino dos bons Espíritos.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.