O Livro dos Espíritos | Livro 1 “Causas primárias” | Capítulo 4 “Princípio vital”
A vida e a morte, questões 68 a 70
Neste artigo vamos abordar as questões 68 a 70 de “O Livro dos Espíritos”. Estas questões falam sobre a morte na vida terrena.
A morte dos seres orgânicos ocorre pelo esgotamento dos órgãos, quando estes deixam de cumprir adequadamente suas funções. Esse processo pode ser comparado ao funcionamento de uma máquina: se suas peças estão desorganizadas ou danificadas, o movimento cessa. Da mesma forma, quando o corpo se encontra profundamente comprometido pela doença ou pela destruição de seus mecanismos essenciais, a vida chega ao fim.
O coração exerce um papel central nesse processo por ser uma das peças fundamentais na manutenção da vida. Contudo, ele não é o único órgão cuja lesão pode causar a morte. Outros órgãos vitais, quando gravemente afetados, também podem levar ao término da vida orgânica. O que determina a morte não é apenas a falha de um órgão isolado, mas a ruptura do conjunto harmonioso que mantém o organismo em funcionamento.
Após a morte, a matéria que compunha o corpo torna-se inerte e passa por um processo de decomposição, originando novos seres. O princípio vital, por sua vez, retorna à massa de onde saiu.
Segundo Kardec: “com a morte do ser orgânico, os elementos que o compõem sofrem novas combinações que dão origem a novos seres; estes seres retiram da fonte universal o princípio vital e da atividade. Ao deixarem de existir, esse princípio retorna à fonte de onde saiu.
Os órgãos se impregnam do fluido vital que, em certas lesões, restaura as funções momentaneamente suspensas. Entretanto, quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, o fluido vital torna-se impotente para transmitir o movimento da vida e o ser morre.
Os órgãos reagem uns sobre os outros; a harmonia do conjunto resulta dessa ação recíproca. Destruída essa harmonia, o funcionamento dos órgãos cessa.
A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies e não é constante no mesmo indivíduo. Alguns estão, por assim dizer, saturados dele, enquanto outros têm apenas a quantidade suficiente para manter a vida.
O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo a quem tem menos. Em certos casos, pode prolongar a vida.”
Conclui-se, portanto, que a morte, à luz dessas questões, não representa um aniquilamento, mas uma transformação. O corpo físico se desfaz e retorna aos ciclos da natureza, enquanto o princípio vital volta à fonte universal de onde procedeu. A vida orgânica depende da harmonia entre os órgãos e da ação do fluido vital, mas, uma vez rompido esse equilíbrio, o processo natural se cumpre. Assim, a morte se apresenta como parte das leis que regem a existência terrena, integrando o grande movimento de renovação e continuidade da vida.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.