O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos” | Capítulo 1 “Os Espíritos”
Anjos e demônios, questões 128 a 131
Neste artigo vamos abordar as questões 128 a 131 de “O Livro dos Espíritos”. Estas questões falam sobre anjos e demônios.
Os seres chamados de anjos, arcanjos e serafins não constituem uma categoria especial de natureza diferente dos demais Espíritos. Eles são, na verdade, Espíritos puros, que alcançaram o mais alto grau da escala evolutiva. Segundo Kardec, a palavra “anjo” costuma trazer a ideia de perfeição moral, mas muitas vezes é usada de forma mais ampla para designar todos os seres fora da humanidade, sejam bons ou maus. Nesse sentido, o termo pode ser entendido como sinônimo de Espírito.
Todos os Espíritos percorrem os diversos graus de evolução até atingirem a perfeição. Alguns avançam mais rapidamente, pois aceitam suas missões sem resistência, enquanto outros levam mais tempo, de acordo com suas escolhas e atitudes ao longo da jornada.
A crença, presente em quase todos os povos, de que existem seres criados perfeitos e superiores desde o início, tem origem no fato de que, muito antes da existência do mundo habitado pelo homem, já havia Espíritos que tinham alcançado o grau máximo de perfeição. Isso levou à ideia de que esses seres sempre foram assim.
Da mesma forma que há equívocos sobre a origem dos Espíritos considerados perfeitos, também existem interpretações equivocadas sobre a existência de seres essencialmente maus. Não existem demônios no sentido de seres criados eternamente para o mal. Se assim fosse, Deus não seria justo nem bom, pois teria criado seres destinados à infelicidade perpétua.
Segundo Kardec, o que se chama de demônio refere-se, na verdade, a Espíritos impuros e seu estado é apenas transitório. São Espíritos imperfeitos que, por vontade própria, permanecem por mais tempo em suas provações, mas que evoluirão quando quiserem progredir.
No que diz respeito a Satanás, trata-se de uma personificação do mal de forma alegórica, pois não se pode admitir um ser maléfico com poder semelhante ao de Deus, e cuja única preocupação seria frustrar Seus desígnios. Como o homem precisa de figuras e imagens para satisfazer sua imaginação, ele pintou seres incorpóreos em forma material com atributos que lembram suas qualidades ou seus defeitos.
Como conclusão, compreende-se que tanto os chamados anjos, quanto os chamados demônios, não são categorias fixas ou criadas à parte, mas estágios diferentes dentro de um mesmo processo evolutivo. Todos os Espíritos são criados simples e ignorantes, e caminham, em ritmos distintos, rumo à perfeição. Aqueles que hoje são vistos como anjos apenas alcançaram esse grau mais elevado, enquanto os chamados demônios representam Espíritos ainda imperfeitos, em fases transitórias de aprendizado.
Essa visão reforça a ideia de um Deus justo e bom, que não cria seres destinados eternamente ao mal, mas que oferece a todos a oportunidade de evolução. Assim, o bem e o mal deixam de ser condições permanentes e passam a ser etapas de uma jornada, na qual cada Espírito é responsável por seu próprio progresso.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.