O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos espíritos” | Capítulo 5
Considerações sobre a pluralidade das existências, questão 222
O artigo de hoje convida a uma reflexão sobre a questão 222 de O Livro dos Espíritos, que aborda a pluralidade das existências. O Espiritismo existe desde a origem dos tempos, e os espíritos sempre se esforçaram para demonstrar que é possível encontrar sinais dele na antiguidade mais remota, época em que a ideia da transmigração das almas já formava uma crença comum, aceita inclusive pelos homens mais importantes.
Ao ensinar que passamos por várias existências corporais, os Espíritos retomam uma ideia muito antiga, que sempre existiu no íntimo de muitas pessoas. A diferença é que agora ela é apresentada de um jeito mais lógico, de acordo com as leis da Natureza, e sem os exageros da superstição que a cercavam antes.
Muitas pessoas rejeitam a reencarnação apenas porque não gostam da ideia, dizendo que uma única vida já é cansativa e que não gostariam de passar por tudo de novo. No entanto, o Espiritismo mostra que a reencarnação não é um castigo e, se essas pessoas estudassem o assunto profundamente, não teriam medo. O futuro depende de nós mesmos, de modo que a próxima vida será feliz ou infeliz, de acordo com o que fazemos hoje, sendo possível evoluir tanto agora a ponto de não precisarmos mais passar por sofrimentos pesados. Embora muitos achem injusto que Deus nos faça reencarnar para enfrentar novas dores, vale questionar se seria mais justo Deus castigar alguém para sempre por erros cometidos em uma única vida de curta duração. Seria desesperador pensar que nosso destino eterno é decidido em poucos anos, especialmente quando não tivemos tempo de nos tornarmos perfeitos, ao passo que saber que temos novas chances traz esperança e consolo.
Além disso, se as almas nascessem iguais, não haveria razão para as pessoas terem habilidades tão diferentes. Se essa diferença viesse do corpo físico, o homem seria apenas uma máquina sem responsabilidade por seus atos, o que seria absurdo. Por outro lado, se as almas nascessem desiguais, significaria que Deus as criou assim, mas não faria sentido Deus, que ama a todos igualmente, dar superioridade a uns e não a outros, anulando sua própria justiça. A verdade é que, quando nascemos, já trazemos o conhecimento de vidas passadas, e o fato de algumas pessoas serem mais adiantadas que outras depende de quantas vidas e experiências elas já tiveram. Isso funciona de forma idêntica a um grupo com pessoas de várias idades, no qual quem viveu mais anos naturalmente pode saber mais. Do mesmo modo, nossas várias reencarnações ajudam a alma a crescer do mesmo jeito que os anos ajudam o corpo a se desenvolver.
Deus é justo e fez todas as almas iguais. As diferenças que observamos hoje podem ser compreendidas pelos diferentes níveis de evolução espiritual alcançados ao longo das várias existências. O problema é que nós só olhamos para o presente e esquecemos o nosso passado, enquanto o Espiritismo amplia essa perspectiva e mostra que todas as pessoas podem progredir. Acreditar na reencarnação ajuda a compreender a justiça de Deus, pois o que não fazemos em uma vida, podemos realizar em outra, permitindo que todos progridam ao longo de suas diferentes existências.
Esse ensinamento espírita segue fielmente a moral de Jesus, defendendo que a alma é imortal, que nossas ações têm consequências futuras, que Deus é justo e que temos liberdade de escolha, razão pela qual o Espiritismo não é contra a religião. Afinal, acredita-se na reencarnação não só porque ela veio dos Espíritos, mas porque é o caminho mais lógico e resolve problemas que antes não tinham solução. Só a doutrina da pluralidade das existências explica o inexplicável, revelando-se altamente consoladora, conforme à mais rigorosa justiça e constituindo para o homem a verdadeira âncora de salvação que Deus, por misericórdia, lhe concedeu.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2 ed. França.Esta é uma livre interpretação.