O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos ” | Capítulo 4 “Pluralidade das existências”
Encarnação nos mundos diferentes, questões 180 a 188
O artigo de hoje convida a uma reflexão sobre as questões 180 a 188 de O Livro dos Espíritos, que abordam a encarnação nos diferentes mundos. Ao passar de um mundo para outro, o Espírito conserva a inteligência que possui, embora possa faltar-lhe meios para manifestá-la. Em todos os mundos, o Espírito precisa estar revestido de matéria para atuar sobre ela. Esse envoltório é mais ou menos material conforme a pureza dos Espíritos. À medida que o Espírito se purifica, seu corpo se aproxima da natureza espiritual. Conforme evolui, a matéria fica menos densa, ele deixa de rastejar pelo solo, as necessidades físicas são menos grosseiras e os seres vivos não precisam se destruir mutuamente para se nutrirem. Mais livre, o Espírito tem percepções sobre realidades distantes que nos são desconhecidas. Vê pelos olhos do corpo aquilo que, para nós, só pode ser percebido pelo pensamento.
Dessa purificação decorre o aperfeiçoamento moral. As paixões animais se enfraquecem e o egoísmo cede lugar à fraternidade. Nos mundos superiores à Terra, desconhecem-se as guerras, o ódio e a discórdia, pois ninguém pensa em causar dano ao semelhante. A intuição do futuro e a segurança de uma consciência sem remorsos fazem com que a morte não cause apreensão. Encaram-na de frente, sem temor, como simples transformação. A duração da vida guarda proporção com o grau de superioridade física e moral de cada mundo, o que é racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito às fragilidades que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito, menos paixões o dominam. Essa é uma graça da Providência, que assim abrevia os sofrimentos.
O estado físico e moral dos seres vivos não é idêntico em cada mundo. Os mundos também estão sujeitos à lei do progresso. Todos começaram por um estado inferior e a Terra sofrerá idêntica transformação, tornando-se um paraíso quando os homens forem bons. As raças que hoje povoam a Terra desaparecerão, substituídas por seres mais perfeitos. Essas novas raças sucederão às atuais, como estas sucederão a outras ainda mais grosseiras.
Indo de um mundo para outro, o Espírito passa por uma nova infância. Essa transição é necessária, mas não é limitada quanto ao que conhecemos. Nem sempre ele pode escolher o mundo onde habitará. Pode pedir para ir para este ou para aquele mundo e lhe será concedido se assim merecer, mas o acesso depende do grau de elevação do Espírito. Quando não pede, o grau de elevação do Espírito determina o mundo onde ocorrerá a reencarnação.
Há mundos onde o Espírito, deixando os corpos materiais, só tem o perispírito como envoltório. Este se torna tão etéreo que é como se não existisse. Entre o estado das últimas encarnações e o de Espírito puro não há uma separação bem definida; a diferença vai se apagando até se tornar imperceptível.
A substância do perispírito não é a mesma em todos os mundos, pois pode ser mais ou menos etérea. Passando de um mundo a outro, o Espírito se reveste da matéria própria daquele mundo com a rapidez do relâmpago. Os Espíritos puros habitam certos mundos, mas não ficam presos a eles como os homens à Terra, pois podem estar em toda parte.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2 ed. França.Esta é uma livre interpretação.