O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos espíritos” | Capítulo 7 “Retorno do Espírito à vida corporal”
Esquecimento do passado, questões 392 a 399
Neste artigo vamos abordar as questões 392 a 399 de “O Livro dos Espíritos”. Estas questões falam sobre o esquecimento das vidas passadas.
O Espírito encarnado perde a memória de seu passado porque assim Deus o quer. Esse esquecimento não é um castigo, mas uma necessidade para o seu progresso. A cada nova existência, o ser humano desenvolve mais inteligência e passa a distinguir melhor o bem do mal. No mundo espiritual, antes de reencarnar, o Espírito vê claramente sua vida passada, reconhece as faltas cometidas e compreende o que poderia ter feito para evitá-las. Ele entende que sua situação é justa e aceita a nova existência como oportunidade de reparação, pedindo ajuda aos Espíritos Superiores, pois sabe que eles o ajudarão na nova existência a reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição do que fez anteriormente, para que resista ao mal; é a consciência que o adverte para não recair nos erros.
Em mundos mais avançados que a Terra, há habitantes que conservam a lembrança de suas vidas passadas e, por isso, compreendem melhor a felicidade que Deus lhes concede. Em outros mundos, embora as condições sejam melhores, não há essa lembrança; nesses casos, a felicidade não é percebida pela comparação com um passado mais doloroso, mas é vivida de forma mais consciente pelo Espírito.
Segundo Kardec: “Para o homem a lembrança de existências anteriores teria desvantagens muito sérias; em alguns casos, humilhar; em outros, exaltar o orgulho e, por isso mesmo, impediria o uso de seu livre-arbítrio. Deus dá ao homem o que é necessário para evoluir, isto é, a voz da consciência e as tendências instintivas e tira o que poderia prejudicá-lo”.
Alguns Espíritos podem receber revelações parciais sobre suas encarnações anteriores, mas isso não é regra geral. Muitas vezes, o que parece lembrança do passado é apenas fruto da imaginação. Contudo, à medida que o Espírito evolui e se liberta da matéria, sua memória espiritual torna-se mais clara, sendo mais precisa nos mundos superiores.
As tendências instintivas do homem refletem, até certo ponto, seu passado. Pelo estudo delas, ele pode perceber inclinações que indicam faltas já cometidas, embora seja necessário considerar o progresso realizado e as resoluções assumidas no mundo espiritual. A nova existência pode ser muito melhor que a anterior, pois o Espírito não retrocede, apenas progride ou permanece estacionário.
As dificuldades da vida corporal funcionam como expiação das faltas passadas e, ao mesmo tempo, como provas para o futuro. Muitas vezes, cada um sofre o mal que praticou, embora isso não seja uma regra absoluta. As tendências instintivas são sinais mais seguros do passado do que as próprias provações, pois estas também se relacionam com o futuro.
Segundo Kardec: “antes de reencarnar, o próprio espírito escolhe as provações que quer submeter-se para apressar o seu progresso; elas estão relacionadas com as faltas que cometeu no passado.
Voltando à vida corporal, o espírito perde a lembrança de existências anteriores e não sabe que atos praticou no passado. Porém, com base em seu caráter, pode ter a noção dos tipos de faltas que cometeu; basta que estude suas tendências. Esse esquecimento não é obstáculo ao seu aperfeiçoamento, porque teve conhecimento delas no mundo espiritual.
Algumas recordações passadas podem ser reveladas ao espírito durante a encarnação, pelos Espíritos Superiores, mas somente quando há uma finalidade útil.
As existências futuras não podem ser reveladas, porque dependem do cumprimento da existência atual e das escolhas que o espírito fizer para a próxima; se conseguir reparar seus erros, evolui; se sucumbir, deverá recomeçar.
As tribulações da vida corporal são oportunidades para o espírito reparar as faltas do passado e podem, também, servir como provas para o futuro. Essas tribulações o ajudam a purificar-se e aperfeiçoar-se.
Durante a encarnação ele será assistido por outros espíritos que o auxiliarão, se seguir as boas inspirações que lhe sugerem”.
O esquecimento do passado funciona também como um mecanismo de reconciliação, permitindo que antigos adversários reencarnem no mesmo círculo familiar. Dessa forma, evita-se as lembranças de crimes ou de glórias passadas que possam humilhar ou exaltar os indivíduos. Além disso, as dificuldades da vida nem sempre se vinculam a faltas anteriores, podendo constituir provas destinadas ao fortalecimento moral do Espírito. Convém ressaltar que a escolha de certas provações é facultada apenas aos Espíritos que já possuem discernimento; àqueles que ainda não alcançaram maturidade suficiente, elas são determinadas por Deus.
Como se vê, o esquecimento das vidas passadas não é uma falha da condição humana, mas um mecanismo sábio da lei divina que protege o Espírito e favorece seu progresso. Privado da lembrança detalhada do passado, mas amparado pela consciência, pelas tendências íntimas e pelo auxílio dos Espíritos Superiores, o ser humano recebe exatamente os recursos de que necessita para aprender, reparar e evoluir. As provas e dificuldades da vida podem constituir oportunidades educativas e contribuir para o crescimento moral. Assim, cada existência corporal representa uma nova etapa na jornada do Espírito, na qual, por meio das próprias escolhas, ele constrói seu futuro e se aproxima, gradualmente, de estados mais elevados de compreensão, paz e felicidade.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2 ed. França.Esta é uma livre interpretação.