O Livro dos Espíritos | Livro 3 “Leis morais” | Capítulo 1 “Lei divina ou natural”
O bem e o mal, questões 638 a 646
Às vezes, dizem que o mal parece ser uma consequência das circunstâncias e não se compreende se há violação da Lei de Deus. Porém, o mal é sempre o mal. Aquele que compreende o mal é mais culpado se praticá-lo. O Espírito se liberta do mal à medida que se purifica por meio das reencarnações.
O mal que um homem pratica só pode ser atribuído a ele mesmo; o mal não é o resultado da posição em que outros homens o colocaram. Assim, aquele que é levado a praticar o mal pela posição que alguém lhe impôs é menos culpado do que aquele que o causa. Cada um será penalizado não apenas pelo mal que fez, mas pelo mal que induziu outros a cometer. Aquele que não pratica o mal, mas que se beneficia do mal feito por outro, é igualmente culpado. Aproveitar-se do mal é participar dele.
É uma virtude resistir ao mal que se desejava praticar, por vontade própria, especialmente quando há possibilidade de fazê-lo. Entretanto, se o mal não é praticado por falta de oportunidade, é culpado quem deseja realizá-lo. A intenção já constitui uma falta moral.
A responsabilidade não se limita ao que deixamos de fazer. O mal também está em não praticar o bem quando é possível. Para o Espiritismo, a omissão diante do sofrimento ou da necessidade alheia é uma transgressão à lei de fraternidade; assim, deixar de praticar o bem é, em essência, permitir que o mal prevaleça.
Por isso, não basta não fazer o mal para agradar a Deus; o homem tem que fazer o bem no limite das próprias forças, porque cada um responderá por todo bem que deixou de fazer. Todos podem fazer o bem. Basta querer praticá-lo. Todos os dias há oportunidade para isso. Para ser caridoso, é preciso ser útil, sempre que necessário.
Jesus ensinou sobre o óbolo da viúva, em que o mérito está na dificuldade e no esforço. Para Deus, importa mais aquele que divide seu único pedaço de pão do que aquele que dá apenas o que lhe sobra, pois Deus considera não apenas o que se dá, mas como se dá.
O ambiente onde certos homens convivem é a fonte de muitos vícios, mas esta é uma situação em que o Espírito deve resistir ao mal para ter o mérito da resistência. Mesmo imerso no vício, o mal pode ser evitado. Jesus foi o maior exemplo disso: viveu entre todos sem se contaminar, exercendo sempre boa influência.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.