O Livro dos Espíritos | Livro 3 “Leis morais“ | Capítulo 10 “Lei de liberdade”
Resumo teórico do que motiva as ações do homem, questão 872
A liberdade moral do ser humano afirma que ele é um Espírito dotado de razão, consciência e liberdade, capaz de pensar, avaliar e escolher entre o bem e o mal. Por isso, é responsável por seus atos e pelas consequências de suas escolhas.
O livre-arbítrio constitui uma das conquistas mais importantes do Espírito humano. Nenhuma ação pode ser atribuída exclusivamente ao corpo ou às circunstâncias externas. As dificuldades da existência decorrem das escolhas, tendências e imperfeições do próprio Espírito. Quando o homem cede ao mal, não é por imposição, mas porque cede às suas próprias fragilidades morais diante das experiências que enfrenta. Ainda assim, nunca está abandonado: pode recorrer à assistência de Deus e dos bons Espíritos, conforme ensina Jesus na sublime oração do Pai Nosso, na frase: "Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal" (Mateus 6:13).
No estado espiritual, liberto da matéria, o Espírito escolhe novas existências conforme suas necessidades evolutivas e o grau de perfeição alcançado. Essa escolha confirma que o livre-arbítrio não se limita à vida corporal. Ao reencarnar, o Espírito conserva suas qualidades e imperfeições, que se manifestam nas ações humanas. As faltas cometidas têm origem nessas imperfeições e são gradualmente corrigidas por meio das provas e experiências educativas das reencarnações.
Enquanto imperfeito, o homem é mais vulnerável às sugestões de Espíritos igualmente imperfeitos. A transformação moral exige esforço contínuo: vencê-la favorece o progresso espiritual; quando não consegue superar determinada dificuldade, o Espírito encontra novas oportunidades de aprendizado e renovação. À medida que o Espírito se depura, sua força moral aumenta, e a influência dos maus Espíritos se enfraquece.
Jesus é apresentado pela Doutrina Espírita como o modelo moral da humanidade. Enviado por Deus, Ele viveu para ensinar, pelo exemplo e pela palavra, o caminho que o homem deve seguir. Sua vida apresenta o verdadeiro “homem de bem”, aquele que pratica a justiça, a caridade, a humildade e o amor ao próximo, subordinando seus interesses à lei divina (O Livro dos Espíritos, questões 625 e 918).
A Doutrina Espírita não aceita a ideia de um destino fixo e imutável. O ser humano é livre para escolher, e suas decisões trazem consequências. A única certeza inevitável é a morte física, que marca o fim daquela vida corporal.
A humanidade terrestre é formada por Espíritos em diferentes graus de adiantamento, predominando ainda os imperfeitos. Por isso, a Terra apresenta tantas desigualdades morais. O progresso espiritual, entretanto, depende do esforço pessoal e consciente de cada um, no desenvolvimento das próprias faculdades morais, condição necessária para alcançar mundos onde o bem prevalece.
Em síntese, as ações do homem resultam de seu estado moral e de suas livres escolhas. Não são fruto de uma fatalidade inevitável, mas da responsabilidade do Espírito por seu próprio progresso, orientado pela lei divina e tendo em Jesus o exemplo a seguir.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.