O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos” | Capítulo 10 “Ocupações e missões dos Espíritos”
Ocupações e missões dos Espíritos, questões 581 a 584
O artigo de hoje convida a uma reflexão sobre as questões 581 a 584 de O Livro dos Espíritos, que abordam as ocupações e missões dos Espíritos. Os homens que utilizam sua genialidade para esclarecer a humanidade certamente cumprem uma missão. No entanto, entre eles, existem aqueles que, mesmo conhecendo grandes verdades, propagam graves erros. Nessas situações, é necessário levar em consideração as circunstâncias de cada época, pois os homens mais adiantados falam de acordo com o tempo em que vivem; assim, o que parece errado em um período pode ter sido conveniente e adequado em outro momento histórico.
Além dessas grandes figuras, a paternidade também é considerada uma missão e, ao mesmo tempo, um dever de imensa responsabilidade dos pais em relação ao futuro de seus filhos. Deus colocou a criança sob o amparo dos pais para que eles a orientem no caminho do bem, facilitando essa tarefa ao lhes confiar um ser frágil, delicado e totalmente acessível aos ensinamentos. Apesar disso, existem pais que cuidam mais das árvores de seu jardim do que da formação do caráter de seus próprios filhos. Se o jovem vier a sucumbir por culpa dessa negligência, os pais passarão por grandes desgostos e compartilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito tudo o que estava ao alcance deles para que ele progredisse.
A justiça de Deus se manifesta claramente nessas relações: se uma criança se desviar do caminho correto, apesar de todos os cuidados recebidos, os pais não serão considerados responsáveis. Por outro lado, quanto piores forem as inclinações naturais do filho, mais pesada será a tarefa educativa e, consequentemente, maior será o mérito dos pais se conseguirem desviá-lo do mal.
Ainda sob a ótica dos desígnios divinos, até mesmo o conquistador que não recua diante das calamidades para satisfazer suas ambições atua, na maioria das vezes, como um instrumento utilizado por Deus para realizar Seus propósitos, servindo essas adversidades como um meio para fazer com que um povo progrida mais rapidamente. Contudo, aquele que serve de instrumento para uma calamidade visando apenas interesses pessoais não colherá os méritos do bem que eventualmente resulte dela, pois a verdadeira recompensa espiritual depende sempre das intenções reais e do bem que o indivíduo efetivamente desejou praticar. Assim, a missão confiada a alguém não elimina sua responsabilidade moral, pois cada Espírito responde pela forma como utiliza sua capacidade e as oportunidades recebidas.
Segundo Allan Kardec, os Espíritos encarnados possuem ocupações inerentes às suas existências corpóreas. Já no estado de erraticidade, ou seja, no período em que o Espírito permanece no mundo espiritual entre uma encarnação e outra, essas tarefas tornam-se adequadas ao grau de adiantamento de cada um. Enquanto alguns percorrem os mundos e se ocupam com o progresso geral, dirigindo os acontecimentos e sugerindo ideias propícias, outros assistem diretamente os homens de destaque que concorrem para o avanço da Humanidade. Há também aqueles que encarnam com uma missão específica de progresso, e outros que tomam sob sua tutela indivíduos, famílias, reuniões, cidades e povos, constituindo-se como seus anjos guardiães, Espíritos protetores e Espíritos familiares.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2 ed. França.Esta é uma livre interpretação.