O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos“ | Capítulo 11 “Os três reinos”
Os animais e o homem, questões 601 a 606
Neste artigo vamos abordar as questões 601 a 606 de “O Livro dos Espíritos”. Estas questões falam sobre a origem e o progresso da inteligência nos animais e no homem, explicando as diferenças entre ambos, a relação com a matéria e a harmonia das Leis de Deus.
Os animais, assim como os homens, estão submetidos à lei do progresso. À medida que os mundos se tornam mais elevados, também os animais acompanham esse avanço, apresentando maior desenvolvimento de suas faculdades e meios de comunicação. Ainda assim, permanecem sempre em condição inferior ao homem, atuando como servidores inteligentes, sob sua orientação. Esse progresso animal não se dá por vontade própria, mas pela força das circunstâncias, razão pela qual não há expiação para eles.
Nos mundos superiores, os animais não possuem consciência de Deus. Para os animais, o homem exerce um papel semelhante ao que, na Antiguidade, os espíritos exerciam em relação aos homens; os animais o percebem como um ser superior.
Embora os animais, mesmo os mais desenvolvidos, permaneçam abaixo do homem, isso não representa uma contradição da justiça divina. Tudo na Criação está interligado por leis sábias e harmônicas que o ser humano, em sua limitação atual, ainda não consegue compreender plenamente. À medida que a inteligência humana evolui e se liberta do orgulho e da ignorância, torna-se capaz de perceber com maior clareza a coerência e a perfeição da obra do Criador.
A inteligência é um atributo comum tanto aos animais quanto ao homem, porém manifesta-se de forma distinta. Nos animais, limita-se à vida material, enquanto no homem se eleva à vida moral, permitindo discernimento, responsabilidade e progresso espiritual. Algumas pessoas podem se perguntar se o homem possui duas almas: a animal e a espiritual, e a resposta é não. Por meio do corpo, participa da natureza animal e de seus instintos; por meio da alma, participa da natureza dos espíritos. Quanto mais inferior é o espírito, mais forte é sua ligação com a matéria, sendo necessário lutar contra essa influência para alcançar aperfeiçoamento.
A alma do homem e a do animal são diferentes e não podem animar o corpo uma da outra. Segundo Kardec, ao encarnar, o espírito traz o princípio intelectual e moral que o torna superior aos animais. Seus vícios têm origem nos instintos da natureza animal e nas impurezas do espírito. Ao purificar-se, o espírito liberta-se pouco a pouco da influência da matéria, elevando-se para o seu verdadeiro destino.
O princípio inteligente que anima os animais tem origem no elemento inteligente universal, o mesmo de onde procede a inteligência humana. Contudo, no homem, esse princípio passa por um processo de elaboração que o torna superior, capacitando-o para a consciência moral, a responsabilidade e a compreensão progressiva das Leis de Deus.
Como conclusão, compreende-se que a Criação divina é regida por leis perfeitas e harmoniosas, nas quais nada é inútil ou contraditório. Animais e homens participam do progresso de formas diferentes, conforme o grau de desenvolvimento de sua inteligência e de sua consciência. Enquanto os animais evoluem sob o impulso das circunstâncias e permanecem ligados à vida material, o homem é chamado a um progresso moral e espiritual consciente, assumindo responsabilidade por seus atos. Assim, a superioridade humana não é um privilégio arbitrário, mas um compromisso com o aperfeiçoamento interior, que conduz o espírito à libertação gradual da matéria e à compreensão cada vez mais clara da sabedoria e da justiça de Deus.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.