O Livro dos Espíritos | Livro 1 “Causas primárias” | Capítulo 1 “Deus”
Panteísmo, questões 14 a 16
O artigo de hoje propõe uma reflexão sobre as questões 14 a 16 de O Livro dos Espíritos, que abordam os atributos de Deus.
Sua existência é inegável, e isso é o que verdadeiramente importa saber. Deus não se define como um ser distinto, tampouco como o simples resultado da união de todas as forças e inteligências do Universo, pois, se assim fosse, Ele seria uma consequência da criação, e não a sua causa.
A doutrina panteísta sustenta que todos os corpos da Natureza, todos os seres e todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em sua totalidade, o próprio Deus. Ao analisá-la, percebe-se, nas palavras dos próprios Espíritos, a tentativa do homem de, não podendo fazer-se Deus, querer ao menos ser parte d'Ele.
Embora haja alegações de que essa visão oferece uma explicação inteligente para os fenômenos naturais, a razão se opõe a esse raciocínio. Segundo Allan Kardec, o panteísmo transforma Deus em um ser material que, embora dotado de inteligência suprema, seria em larga escala aquilo que nós somos em pequena escala. Como a matéria está em constante transformação, esse sistema retiraria de Deus a estabilidade, sujeitando-O às mesmas dificuldades e necessidades da Humanidade e, com isso, privando-O de um de seus atributos mais essenciais: a imutabilidade.
Embora não se saiba tudo o que Deus é, sabe-se o que Ele não pode deixar de ser. O panteísmo, portanto, contradiz as propriedades mais fundamentais da Divindade ao confundir a criatura com o Criador. Assim como a inteligência de um pintor se revela em seu quadro, mas o quadro não é o pintor, as obras de Deus manifestam Sua grandeza, mas não são, de forma alguma, o próprio Deus.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1 ed. França.Esta é uma livre interpretação.