O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos” | Capítulo 9 “Intervenção dos Espíritos no mundo corporal”
Poder oculto, talismãs e feiticeiros, questões 551 a 556
A crença em poderes mágicos surge quando fenômenos naturais são atribuídos ao sobrenatural por falta de compreensão das Leis de Deus. O tema envolve pessoas tidas por feiticeiras, objetos com supostos poderes, fórmulas para obter a ação dos Espíritos e faculdades como o magnetismo e a dupla vista, que é a percepção além do alcance dos sentidos físicos. Cabe separar o fenômeno da explicação que se dá a ele.
Uma pessoa má, auxiliada por um Espírito mau, pode prejudicar outra, mas isso não significa que exista um poder sem limites: a ação dos Espíritos está sujeita às leis de Deus, e o medo de feitiços não deve transformar qualquer dificuldade em resultado sobrenatural.
Algumas pessoas possuem grande força magnética, que pode produzir efeitos sobre outras pessoas, e podem fazer mau uso dela quando seus sentimentos são maus, recebendo o auxílio de Espíritos imperfeitos. Ainda assim, o fenômeno não se transforma em poder mágico: muitos fatos atribuídos à feitiçaria são apenas fenômenos naturais pouco observados.
Fórmulas, símbolos e talismãs não possuem poder próprio. Segundo Kardec, os Espíritos não são atraídos por objetos materiais, mas pelos pensamentos e sentimentos das pessoas. A confiança nesses objetos pode revelar imaturidade e favorecer a ação de Espíritos imperfeitos e zombeteiros, que podem sugerir práticas estranhas para explorar a credulidade alheia.
A Bíblia apresenta uma relação diferente com o poder espiritual: Jesus não ensinou talismãs ou fórmulas secretas, mas a oração e a confiança em Deus, dirigindo a prece ao Pai. No jardim do Getsêmani, Ele se dirige a Deus e coloca sua vontade diante da vontade do Pai. A ligação com o Criador não depende de objetos ou palavras mágicas.
Convém diferenciar essa superstição da devoção respeitosa. Uma estátua de santo é apenas um objeto material sem poder fluídico ou milagroso, cuja utilidade é servir como ponto de apoio para o recolhimento e a concentração da mente durante a prece (Revista Espírita, agosto de 1859). Para o Espiritismo, os que a humanidade chama de santos são Espíritos que alcançaram certo grau de perfeição (Revista Espírita, julho de 1866). Esses Espíritos elevados podem agir como guias e protetores por meio de boas intuições, sob as leis naturais de Deus (O Livro dos Espíritos, q. 489 a 495).
O chamado feiticeiro pode ser, de boa-fé, alguém com magnetismo ou dupla vista. Como essas capacidades produzem fenômenos que as pessoas não compreendem, surge a ideia de poder sobrenatural: "os vossos sábios não têm passado muitas vezes por feiticeiros aos olhos dos ignorantes?" (O Livro dos Espíritos, q. 555). O magnetismo pode produzir efeitos benéficos, inclusive sobre a saúde, mas quem desconhecia as leis de Deus atribuía esses efeitos à feitiçaria. Para Kardec, estudar esses fenômenos ajuda a separar as leis da Natureza da superstição.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2 ed. França.Esta é uma livre interpretação.