O Livro dos Espíritos | Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos” | Capítulo 6 “Vida espírita”
Recordação da existência corpórea (parte 2), questões 312 a 319
Neste artigo abordaremos as questões 312 a 319 de “O Livro dos Espíritos”, que tratam das recordações da existência corpórea.
Os Espíritos muitas vezes conservam a lembrança dos sofrimentos da última encarnação. Essa recordação os ajuda a compreender melhor o valor da felicidade que desfrutam no mundo espiritual. Entretanto, essa lembrança não ocorre da mesma forma para todos, pois depende do grau de evolução e das condições em que o Espírito se encontra após a morte. Já aqueles que foram felizes na Terra não lamentam, necessariamente, os prazeres que deixaram. Apenas os Espíritos inferiores sentem saudade dos prazeres ligados à natureza imperfeita, prazeres passageiros que acabam trazendo sofrimento. Os Espíritos mais elevados preferem a felicidade eterna à alegria temporária da vida material. Como compara Kardec, isso se assemelha ao adulto que já não valoriza os brinquedos que tanto apreciava na infância.
Quem iniciou uma grande obra útil na Terra e partiu antes de concluí-la não sofre por deixá-la inacabada. No mundo espiritual, compreende que outras pessoas poderão dar continuidade ao trabalho e procura inspirá-las para que a obra continue beneficiando a Humanidade.
O apego às obras de arte, à literatura, às descobertas científicas e ao progresso da Terra depende do grau de elevação espiritual. Quanto mais evoluído é o Espírito, mais seu interesse se volta para tudo aquilo que contribui para o progresso moral e intelectual dos encarnados. Da mesma forma, o amor à pátria também se transforma: para os Espíritos elevados, toda a criação é sua pátria, pois enxergam o Universo como um único lar.
Kardec explica que os Espíritos veem as coisas de maneiras diferentes, conforme seu desenvolvimento moral e intelectual. Os Espíritos superiores permanecem pouco tempo ligados à Terra e não se interessam pelas preocupações humanas, exceto quando estas favorecem o progresso da Humanidade. Os Espíritos intermediários ainda acompanham mais de perto a vida terrestre, mas com uma visão mais elevada do que possuíam enquanto encarnados. Já os Espíritos inferiores conservam muitos dos mesmos gostos, hábitos e inclinações da vida material. Frequentam ambientes e atividades compatíveis com seu caráter e, muitas vezes, aproximam-se daqueles que compartilham dos mesmos vícios. Ainda assim, alguns observam as ações humanas para aprender e buscar seu próprio aperfeiçoamento.
No mundo espiritual, as ideias dos Espíritos também se transformam. À medida que se libertam da influência da matéria, passam a enxergar a realidade com maior clareza e procuram evoluir. Embora alguns conservem por muito tempo as mesmas opiniões que tinham na Terra, essa mudança acontece gradualmente.
O espanto sentido pelo Espírito ao retornar ao mundo espiritual após a morte é apenas consequência da perturbação que acompanha o despertar nessa nova condição. Conforme recupera a lembrança de sua existência anterior e compreende novamente sua verdadeira natureza, a impressão da vida terrena vai desaparecendo, e ele retoma, pouco a pouco, a plena consciência de sua realidade espiritual. Esse processo não acontece de maneira imediata para todos os Espíritos, pois cada um desperta conforme sua condição moral e seu grau de preparação.
Esses ensinamentos mostram que a vida espiritual amplia a compreensão do Espírito sobre si mesmo e sobre a existência. À medida que evolui, ele se desapega dos interesses passageiros da Terra, valoriza o bem que permanece e passa a enxergar a realidade com mais clareza. Assim, o progresso espiritual acontece de forma contínua, conduzindo o Espírito a uma visão cada vez mais elevada e universal da vida.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2 ed. França.Esta é uma livre interpretação.