Livro 2 “Mundo espírita ou dos Espíritos” | Capítulo 7 “Retorno do Espírito à vida corporal”
Simpatia e antipatia terrenas, questões 386 a 391
Neste artigo abordaremos as questões 386 a 391 de “O Livro dos Espíritos”, que tratam de simpatia e antipatia terrenas.
Dois seres que se conheceram e se amaram em outra existência podem voltar a se encontrar, mas não necessariamente se reconhecerão. Ainda assim, podem sentir uma forte atração um pelo outro, pois os laços de afeto sincero podem fazer com que esses Espíritos se busquem novamente no meio da multidão. Esse reencontro não acontece necessariamente por acaso. Depois do desencarne, eles poderão se reconhecer e compreender o tempo que passaram juntos.
A simpatia entre duas pessoas também não depende sempre de um conhecimento anterior. Dois Espíritos podem naturalmente procurar um ao outro, mesmo sem terem convivido em existências passadas. Da mesma forma, certos encontros que parecem acontecer por acaso podem estar relacionados a ligações que o ser humano ainda não conhece. O magnetismo é apresentado como um elemento que conduz essas relações.
Já a repulsa instintiva que alguém sente por outra pessoa pode estar relacionada à antipatia existente entre os Espíritos, mesmo antes de qualquer conversa. Entretanto, essa antipatia não significa necessariamente que um ou ambos sejam maus. Ela pode surgir simplesmente porque pensam de maneira diferente. Com o progresso moral, essas discordâncias e sentimentos de antipatia tendem a desaparecer.
As causas e os efeitos também podem ser diferentes conforme a condição moral de cada Espírito. Um Espírito mau pode sentir antipatia por alguém que seja capaz de julgá-lo ou desmascará-lo, transformando esse afastamento em ódio, ciúme e desejo de fazer o mal. Já um Espírito bom pode sentir repulsa diante de alguém que não compartilha seus sentimentos e princípios, mas não alimenta ódio ou ciúme. Por sua superioridade moral, ele apenas evita essa pessoa e lamenta sua situação.
Em conclusão, essas questões mostram que os sentimentos de simpatia e antipatia podem estar associados às relações entre os Espíritos, mas nem sempre têm origem em experiências anteriores. A simpatia pode aproximar pessoas que nunca haviam se conhecido, enquanto a antipatia pode surgir de diferenças entre suas disposições e sentimentos. Entretanto, essas relações não devem ser vistas como definitivas, pois o progresso moral tende a transformar sentimentos e diminuir as discordâncias. O ensinamento também destaca a diferença entre a reação de um Espírito mau e a de um Espírito bom diante da antipatia. Enquanto o primeiro pode alimentar ódio, ciúme e desejo de prejudicar, o segundo procura evitar o conflito sem cultivar sentimentos negativos. Dessa forma, o estudo dessas questões reforça a importância do progresso moral e da maneira como lidamos com aqueles com quem não temos afinidade, lembrando que a ausência de simpatia não deve se transformar em ódio ou desejo de fazer o mal.
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2 ed. França.Esta é uma livre interpretação.