O tribunal digital
A facilidade com que apontamos os erros alheios na internet revela senso de justiça ou falta de indulgência?
Basta um post polêmico, um erro cometido por alguém ou um fragmento de vídeo fora de lugar para que milhares de pessoas se unam em um julgamento coletivo. A cultura do cancelamento transformou as redes sociais em grandes tribunais sem juiz, onde a condenação é instantânea e impiedosa. É muito fácil nos sentirmos superiores e moralmente impecáveis atrás da segurança de uma tela. No entanto, o julgamento precipitado ignora as complexidades de cada ser humano e serve apenas para inflar o nosso próprio ego.
Jesus foi categórico ao alertar que não devemos julgar para não sermos julgados, e resumiu o comportamento ideal na máxima: "Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra" (João 8:7). A Doutrina Espírita aprofunda esse dever moral ao detalhar a indulgência como um dos três pilares da caridade autêntica (O Livro dos Espíritos, questão 886). Ser indulgente não significa concordar com o erro, mas olhar para a falha do outro lembrando que também somos seres imperfeitos em processo de evolução, necessitados de compreensão e de tempo para reparar as próprias falhas.
A internet reflete o que trazemos no coração. Substituir o dedo apontado pela prece ou pelo silêncio respeitoso é o primeiro passo para combater a intolerância que adoece a sociedade. Antes de fazer uma crítica ou compartilhar um julgamento hoje, pergunte-se: as minhas palavras constroem ou destroem?
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia