Quando o silêncio incomoda
Você consegue se sentir bem na sua própria companhia?
Você está em casa sem compromissos ou mensagens no celular e, de repente, sente um vazio desconfortável. Muitas vezes buscamos sons, telas ou ocupações constantes para evitar o silêncio e o contato com os próprios pensamentos.
A dificuldade de permanecer sozinho pode indicar que os estímulos externos ocupam todo o espaço disponível para a reflexão. Aprender a estar consigo mesmo não significa afastar-se das pessoas. Significa reservar momentos para perceber pensamentos, sentimentos e escolhas.
Jesus também buscava momentos de recolhimento. Lucas registra que ele se retirava para lugares solitários e orava (Lucas 5:16). Esse afastamento não era fuga das pessoas, mas preparo para examinar a própria conduta diante de Deus antes de agir.
O Livro dos Espíritos aprofunda esse mesmo preparo ao indicar o exame de consciência como recurso para conhecer a si mesmo. Santo Agostinho propõe avaliar, ao fim de cada dia, as próprias ações, verificando o bem realizado e aquilo que poderia ter sido melhor (O Livro dos Espíritos, q. 919a). Assim como Jesus reservava momentos de recolhimento e oração antes de agir, o exame diário proposto por Santo Agostinho transforma o silêncio em instrumento de revisão da própria conduta.
Um momento de silêncio pode ser usado para observar uma decisão recente, identificar uma reação que precisa ser revista ou reconhecer uma atitude correta que deve ser mantida. Esse exercício permite acompanhar mudanças de comportamento.
Hoje, ao ficar alguns minutos sem celular ou outras distrações, que atitude sua merece ser examinada com mais atenção?
Equipe Vida e Espiritismo
Bibliografia