Lázaro
O que aconteceu com Lázaro antes de Jesus ordenar que ele saísse do túmulo?
Lázaro, irmão de Marta e Maria, vivia em Betânia e era amigo de Jesus. Quando adoece, suas irmãs mandam avisá-lo, mas Jesus permanece onde está por mais dois dias. Quando chega, Lázaro já havia sido sepultado havia quatro dias. Diante do túmulo, Jesus ora ao Pai e ordena que Lázaro saia. Ele então aparece vivo, ainda envolvido pelas faixas do sepultamento.
O episódio de João 11:1-45 permite examinar a autoridade de Jesus diante da morte, a sobrevivência do Espírito após a morte do corpo e a diferença entre ressurreição e reencarnação. O acontecimento também permite compreender a finalidade atribuída por Jesus ao retorno de Lázaro, sua sintonia com o Pai e o significado de suas palavras: "Eu sou a ressurreição e a vida".
Um homem chamado Lázaro estava doente. Ele morava em Betânia com suas irmãs, Marta e Maria. As duas mandaram avisar Jesus:
— Senhor, seu amigo Lázaro está doente.
Jesus respondeu que aquela enfermidade não terminaria em morte, mas serviria para a manifestação da glória de Deus e para que o Filho de Deus fosse glorificado por meio dela.
Jesus amava Marta, Maria e Lázaro. Mesmo sabendo da doença, permaneceu onde estava por dois dias.
Depois disse aos discípulos:
— Vamos voltar para a Judeia.
Eles lembraram que, pouco antes, haviam tentado apedrejá-lo naquela região.
Jesus falou sobre as doze horas do dia e disse que Lázaro estava dormindo e que iria despertá-lo. Os discípulos entenderam que ele falava do sono. Então Jesus afirmou claramente:
— Lázaro morreu. Estou feliz por não ter estado lá, para que vocês creiam. Vamos até ele.
Tomé disse aos outros discípulos:
— Vamos também, para morrermos com ele.
Quando Jesus chegou, Lázaro já estava sepultado havia quatro dias.
Muitas pessoas estavam na casa para consolar Marta e Maria. Marta foi encontrar Jesus e disse:
— Senhor, se estivesse aqui, meu irmão não teria morrido. Mesmo assim, sei que Deus lhe dará o que pedir.
Jesus respondeu:
— Seu irmão vai ressuscitar.
Marta disse que sabia que ele ressuscitaria no último dia.
Jesus então afirmou:
— Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim nunca morrerá. Você acredita nisso?
Marta respondeu que acreditava que ele era o Messias, o Filho de Deus.
Maria foi ao encontro de Jesus. Ao vê-la chorando, assim como as pessoas que a acompanhavam, Jesus ficou muito comovido.
— Onde vocês o sepultaram?
— Senhor, venha ver. — responderam.
Jesus chorou.
Diante do túmulo, uma gruta fechada por uma pedra, Jesus então ordenou:
— Tirem a pedra.
Marta lembrou que já fazia quatro dias e que o corpo estaria com mau cheiro.
Jesus respondeu:
— Eu não lhe disse que, se você crer, verá a glória de Deus?
E retiraram a pedra.
Jesus olhou para o céu e disse:
— Pai, eu te agradeço porque me ouviste. Sei que sempre me ouves, mas digo isso por causa das pessoas que estão aqui, para que creiam que tu me enviaste.
Depois chamou em voz alta:
— Lázaro, venha para fora!
Lázaro saiu. Suas mãos e seus pés estavam envolvidos em faixas, e seu rosto estava coberto por um pano.
Jesus disse:
— Desatem as faixas e deixem que ele vá.
Muitas das pessoas que estavam ali acreditaram em Jesus.
Lázaro era irmão de Marta e Maria, e vivia com elas em Betânia. João o identifica como amigo de Jesus. Sua doença coloca a família diante da morte e reúne muitas pessoas para o período de luto.
Marta recebe Jesus e conversa com ele sobre a morte do irmão. Ela demonstra confiança em Deus e declara sua fé em Jesus como Messias e Filho de Deus.
Maria permanece inicialmente em casa. Quando Jesus chega, vai encontrá-lo acompanhada pelas pessoas que estavam com ela. Sua manifestação de sofrimento precede a comoção de Jesus.
Os discípulos acompanham Jesus e sabem do risco de voltar à Judeia. Pouco antes, Jesus havia sido ameaçado de apedrejamento. Tomé expressa a disposição de acompanhá-lo mesmo diante do perigo.
Jesus conhece a situação de Lázaro desde o recebimento da notícia. Sua decisão de permanecer dois dias onde estava não expressa hesitação: é a autoridade de quem já sabe o desfecho antes de agir. João apresenta essa espera dentro da finalidade que o próprio Jesus atribui ao acontecimento: a manifestação da glória de Deus e o fortalecimento da fé dos discípulos.
Betânia ficava próxima de Jerusalém. João registra a distância aproximada de quinze estádios, cerca de três quilômetros. A proximidade explica a presença de muitas pessoas vindas para consolar Marta e Maria.
O sepultamento era realizado em túmulos escavados na rocha, que podiam ser fechados por uma pedra. O relato menciona o túmulo em forma de gruta e a pedra colocada na entrada. Depois de quatro dias, Marta manifesta preocupação com o odor do corpo.
A situação política também é indispensável para compreender a reação dos discípulos. Jesus havia sido ameaçado de apedrejamento na Judeia. Quando anuncia o retorno, eles lembram imediatamente do perigo. Tomé chega a falar em morrer junto com o Mestre.
João apresenta o episódio de Lázaro como um sinal: um acontecimento que, além do fato em si, identifica quem é Jesus e conduz o leitor a reconhecer sua missão. João associa esse sinal à manifestação da glória de Deus e à fé em Jesus como aquele que foi enviado pelo Pai.
A situação política também é indispensável para compreender a reação dos discípulos. Betânia ficava próxima da Judeia, região de onde vinha a ameaça mais recente contra Jesus.
Jesus recebeu a notícia da doença e permaneceu ainda dois dias onde estava. Depois, declarou aos discípulos que Lázaro havia morrido e decidiu partir para a Judeia. Jesus sabia o desfecho e conduzia o acontecimento segundo uma finalidade definida: manifestar a glória de Deus e favorecer a fé dos discípulos. Essa conduta é coerente com a condição excepcional que a Doutrina Espírita reconhece em Jesus e com sua perfeita sintonia com a vontade divina. (O Livro dos Espíritos, q. 625)
Marta acreditava que seu irmão ressuscitaria "no último dia". Essa expressão se referia, na compreensão judaica daquele período, a um momento futuro em que aconteceria a ressurreição dos mortos. Por isso, Marta esperava que Lázaro voltasse à vida somente nesse acontecimento futuro.
Jesus então afirma: "Eu sou a ressurreição e a vida". Em seguida, diante do túmulo, chama Lázaro para fora, demonstrando que sua autoridade sobre a vida não estava limitada ao futuro esperado por Marta.
Essa frase vai além de uma promessa de retorno físico após a morte. A morte do corpo não representa o fim da existência. A vida pertence ao Espírito e não ao organismo físico.
Kardec distingue esse acontecimento da reencarnação. No caso de Lázaro, não se trata de um Espírito que retorna à vida corporal em um novo corpo, mas de alguém que volta à vida no mesmo corpo.
Em A Gênese, Kardec considera que Lázaro poderia estar em estado de letargia, com o vínculo perispiritual ainda não definitivamente rompido, permitindo o retorno do Espírito ao corpo por ação de Jesus. (A Gênese, cap. XV, itens 39 e 40)
E há também outro aspecto fundamental: Jesus não elimina o sofrimento. Ele próprio chora diante da morte de Lázaro. A compreensão da imortalidade não significa ausência de dor. A pessoa pode compreender que a morte não é o fim e, ainda assim, sofrer com a separação de alguém querido. O sofrimento de Marta e Maria não é tratado com desprezo. Jesus participa daquele momento.
A narrativa, portanto, aproxima duas ideias que às vezes parecem contraditórias: a certeza da vida espiritual e a realidade da dor.
A autoridade demonstrada por Jesus não elimina sua sensibilidade. Diante do sofrimento de Maria e dos demais, ele se comove e chora. Kardec apresenta a benevolência e a indulgência como características da perfeição moral ensinada por Jesus. A elevação espiritual convive com a sensibilidade diante do sofrimento do próximo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 17)
O relato de João afirma que Lázaro havia morrido e estava sepultado havia quatro dias, prazo que, para os presentes, tornava o caso irreversível. Diante dessa condição, Jesus ordena que Lázaro saia do túmulo, e ele sai. Kardec explica esse tipo de caso a partir dos estados de letargia e catalepsia: mesmo com o corpo morto, o vínculo entre o Espírito e o organismo pode, em certas condições, ainda não estar definitivamente rompido. Foi sobre esse vínculo que Jesus agiu, trazendo Lázaro de volta ao mesmo corpo, o que é diferente de uma reencarnação, na qual o Espírito retornaria à vida em outro corpo. (O Livro dos Espíritos, q. 422 a 424)
A morte do corpo não representa a extinção do ser. Kardec distingue o princípio espiritual do organismo material e ensina que, com a morte, o corpo deixa de funcionar, enquanto o Espírito permanece vivo. A vida do Espírito é eterna, enquanto a do corpo é passageira. No caso de Lázaro, o retorno à vida corporal não significa que sua existência espiritual tenha começado naquele momento. O Espírito já existia antes da morte e continuaria existindo depois dela. Essa compreensão está de acordo com os ensinamentos de Kardec sobre a sobrevivência do Espírito e sua individualidade após a morte. (O Livro dos Espíritos, q. 149-152)
Em Vinha de Luz, Emmanuel retoma a afirmação de Jesus a Marta e destaca que Lázaro foi restituído à experiência terrestre. O episódio é relacionado à esperança e ao despertar da fé diante da realidade da morte. (Vinha de Luz, cap. 151, "Ressuscitará").
Em Caminho, Verdade e Vida, Emmanuel usa o retorno de Lázaro como símbolo do recomeço: o valor da nova experiência está na possibilidade de reiniciá-la com novos valores, reconstruindo a trajetória espiritual. Emmanuel relaciona ainda essa transformação à responsabilidade de quem a vive: a experiência que desperta alguém para uma vida renovada também pode torná-lo referência para outros. (Caminho, Verdade e Vida, caps. 112 e 113, "Como Lázaro" e "Não te esqueças").
Em Palavras de Vida Eterna, ao comentar a ordem de Jesus para que Lázaro fosse desatado e deixado ir, Emmanuel amplia a imagem das amarras para uma reflexão sobre mágoas, cobranças e vínculos que mantêm as pessoas presas ao passado. A aplicação é moral: libertar alguém também significa retirar de si os sentimentos que continuam prendendo essa pessoa à nossa memória e ao nosso julgamento. (Palavras de Vida Eterna, cap. 75, "Libertemos").
Os Fenômenos
Diante de um homem sepultado havia quatro dias, Jesus ordena e é obedecido. Kardec explica esse tipo de caso a partir dos estados de letargia e catalepsia: mesmo com o corpo morto, o vínculo entre o Espírito e o organismo pode, em certas condições, ainda não estar definitivamente rompido. Esse princípio permite compreender o episódio sem considerar que um Espírito já desencarnado tenha retornado a um corpo. (O Livro dos Espíritos, q. 422 a 424)
A morte física encerra a existência do corpo, mas não extingue o Espírito nem sua individualidade. A vida espiritual é contínua, enquanto a encarnação constitui uma etapa da trajetória do Espírito. (O Livro dos Espíritos, q. 149-152; q. 153)
A promessa de Jesus a Marta transforma o luto em esperança na continuidade da vida. Emmanuel relaciona a comoção de Jesus junto ao túmulo ao despertar da fé. (Vinha de Luz, cap. 151)
A experiência corporal oferece ao Espírito oportunidades de desenvolvimento e aprendizado, sem permitir concluir que cada sofrimento específico possa ser explicado de maneira individual. (O Livro dos Espíritos, q. 132)
O retorno de Lázaro é utilizado por Emmanuel como imagem do recomeço com novos valores, relacionando a nova oportunidade à renovação da conduta. (Caminho, Verdade e Vida, cap. 112)
Jesus é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu à Humanidade, e é essa condição que explica uma autoridade sem paralelo entre os homens. (O Livro dos Espíritos, q. 625)
A prece de Jesus antes de chamar Lázaro expressa sua confiança no Pai e sua integração com Ele, em sintonia com a missão divina, uma sintonia que, no relato, é declarada em público exatamente no instante que antecede o comando sobre a morte.
Jesus relaciona o acontecimento à necessidade de que os discípulos compreendessem e acreditassem em sua missão. O episódio não aparece isolado dessa missão: ele próprio o relaciona à manifestação da glória de Deus e ao fortalecimento da fé, e sua autoridade sobre a morte está diretamente ligada a essa finalidade.
A narrativa apresenta Jesus diante da morte de Lázaro e concentra-se em sua autoridade para ordenar o retorno de alguém já sepultado havia quatro dias. Essa autoridade está ligada à condição excepcional que a Doutrina Espírita reconhece em Jesus, o mais perfeito modelo que Deus ofereceu à Humanidade, e à perfeita sintonia entre ele e o Pai, declarada publicamente diante do túmulo. A morte física não extingue a existência espiritual; mas o centro do episódio é que, diante de Jesus, nem a morte tem a última palavra.
Emmanuel amplia esse significado ao associar o retorno de Lázaro à possibilidade de recomeçar com novos valores, libertar-se de vínculos do passado e assumir responsabilidade pela transformação alcançada.
O acontecimento extraordinário permanece ligado à missão de Jesus e à autoridade que lhe é própria; seu significado espiritual alcança a realidade permanente da vida do Espírito.
Ainda assim, o que Jesus fez ali é fato: ele chamou, e Lázaro saiu vivo do túmulo. A discussão espírita não incide sobre se isso ocorreu, mas sobre como. Pela ótica espírita, o poder demonstrado por Jesus não deve ser entendido como uma força sobrenatural que suspendesse as leis da Natureza. Jesus é um Espírito de elevadíssima condição, cuja superioridade lhe permitia agir sobre os fluidos e sobre a matéria com uma capacidade muito acima daquela dos homens comuns. Kardec considera que, nos casos de ressurreição narrados nos Evangelhos, poderia tratar-se de situações em que o Espírito ainda permanecia ligado ao corpo. Nesse caso, a ação de Jesus teria favorecido o restabelecimento da vida corporal por meio de sua extraordinária força fluídica e de sua vontade. O episódio mostra até que ponto um Espírito extremamente elevado, como Jesus, conhece e utiliza as leis naturais em benefício do próximo. O verdadeiro poder de Jesus estava na elevação espiritual que lhe permitia agir assim.
Equipe Vida e Espiritismo
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec valoriza a Bíblia como fonte de ensinamentos morais, sobretudo os Evangelhos.
Ele alerta, porém, contra interpretações literais ou dogmáticas.
O Espiritismo ajuda a esclarecer as passagens bíblicas à luz da razão e do ensino dos Espíritos (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução e cap. 1).
O vídeo a seguir auxilia na compreensão inicial do relato bíblico