Estêvão
O que pode dizer um homem quando já decidiram que ele é culpado?
Em Jerusalém, depois da morte de Jesus, a comunidade dos discípulos cresce e enfrenta uma queixa: as viúvas de língua grega estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimentos. Os apóstolos pedem que sejam escolhidos sete homens para cuidar desse serviço, e Estêvão é o primeiro nome da lista. Pouco depois, ele passa a ensinar nas sinagogas, é acusado de falar contra Moisés, a Lei e o Templo e responde diante do Sinédrio.
Atos 6 e 7 acompanham essa trajetória, do serviço às viúvas à reação dos que ouvem Estêvão diante do Sinédrio. O estudo examina as escolhas, as circunstâncias dos acontecimentos e os princípios da Doutrina Espírita relacionados a essa história.
O número dos discípulos aumentava em Jerusalém.
Os judeus de língua grega começaram a reclamar dos judeus de língua hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimentos.
Os doze apóstolos reuniram todos os discípulos e disseram:
— Não é certo deixarmos de anunciar a palavra de Deus para cuidar da distribuição de alimentos. Escolham entre vocês sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria. Vamos entregar essa tarefa a eles. Nós continuaremos dedicados à oração e ao anúncio da palavra.
A proposta agradou a todos. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, além de Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, convertido ao judaísmo e natural de Antioquia.
Os sete foram apresentados aos apóstolos, que oraram e colocaram as mãos sobre eles.
A palavra de Deus continuava se espalhando, e muitos sacerdotes também aderiam à fé. Estêvão, cheio de graça e poder, realizava grandes sinais entre o povo.
Alguns homens de diferentes sinagogas começaram a discutir com ele. Não conseguiam responder à sabedoria com que Estêvão falava.
Então procuraram homens que dissessem:
— Nós o ouvimos falar contra Moisés e contra Deus.
Assim, agitaram o povo, os anciãos e os escribas. Prenderam Estêvão e o levaram ao Sinédrio.
Apresentaram testemunhas que afirmaram:
— Este homem não para de falar contra este lugar santo e contra a Lei. Nós o ouvimos dizer que Jesus, o Nazareno, vai destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos deixou.
Todos os que estavam sentados no Sinédrio olharam para Estêvão e viram seu rosto como o rosto de um anjo.
O sumo sacerdote perguntou:
— Isso é verdade?
Estêvão respondeu:
"Irmãos e pais, escutem. O Deus da glória apareceu a Abraão quando ele ainda estava na Mesopotâmia e disse: 'Saia da sua terra e da sua família e vá para a terra que eu vou lhe mostrar.'
Deus trouxe Abraão para esta terra onde vocês vivem agora. Não lhe deu nenhuma propriedade, nem mesmo o espaço de um pé, mas prometeu dar esta terra a ele e aos seus descendentes, embora ele ainda não tivesse filhos.
Os patriarcas tiveram inveja de José e o venderam como escravo para o Egito. Deus estava com ele, livrou-o de todas as suas aflições e lhe deu graça e sabedoria diante do faraó, que o tornou governador do Egito e de toda a sua casa.
Na segunda viagem dos irmãos ao Egito, José se deu a conhecer a eles.
O povo crescia e se multiplicava no Egito. Então surgiu outro rei, que não conhecia José e oprimiu os israelitas.
Nessa época nasceu Moisés. A filha do faraó o recolheu e o criou como filho. Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e se tornou poderoso em palavras e ações.
Aos quarenta anos, decidiu visitar seus irmãos israelitas. Viu um deles sendo maltratado por um egípcio, defendeu o homem e matou o egípcio. Pensava que seus irmãos entenderiam que Deus estava usando sua mão para libertá-los, mas eles não entenderam.
No dia seguinte, tentou reconciliar dois israelitas que brigavam. Mas o que maltratava o outro o empurrou e perguntou:
'Quem colocou você como chefe e juiz sobre nós? Quer me matar como matou o egípcio ontem?'
Moisés fugiu e viveu como estrangeiro em Midiã. Quarenta anos depois, no deserto do monte Sinai, um anjo apareceu a ele numa chama de fogo que saía de uma sarça. Moisés começou a tremer e ouviu a voz do Senhor:
'Tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está é terra santa. Eu vi o sofrimento do meu povo no Egito. Ouvi seus gemidos e vim libertá-lo. Agora, venha. Eu vou enviá-lo ao Egito.'
Esse Moisés, que eles haviam rejeitado quando perguntaram 'Quem colocou você como chefe e juiz?', foi enviado por Deus como chefe e libertador. Foi ele quem os tirou do Egito, realizando sinais no Egito e no deserto.
Foi Moisés quem disse aos israelitas: 'Deus fará surgir entre os seus irmãos um profeta como eu.' Ele recebeu palavras vivas para entregar aos nossos antepassados.
Nossos antepassados não quiseram obedecer. Rejeitaram Moisés e voltaram seus corações para o Egito. Disseram a Arão: 'Faça para nós deuses que vão à nossa frente.'
Fizeram um bezerro, ofereceram sacrifícios ao ídolo e celebraram a obra das próprias mãos.
A tenda do testemunho, feita conforme Deus havia ordenado a Moisés, acompanhou nossos antepassados até os dias de Davi.
Davi recebeu aprovação diante de Deus e pediu permissão para preparar uma morada para o Deus de Jacó. Mas foi Salomão quem construiu a casa.
Porém, o Altíssimo não habita em construções feitas por mãos humanas, como diz o profeta:
'O céu é o meu trono, e a terra é o apoio dos meus pés. Que casa vocês poderiam construir para mim? Onde seria o meu lugar de descanso? Não foi a minha mão que fez todas essas coisas?'
Homens teimosos, de coração e ouvidos fechados! Vocês sempre resistem ao Espírito Santo, como fizeram seus antepassados. Qual dos profetas eles não perseguiram? Mataram os que anunciavam a vinda do Justo, e agora vocês traíram e mataram esse Justo. Vocês receberam a Lei por meio de anjos e não a obedeceram."
Os membros do Sinédrio ficaram furiosos e rangeram os dentes contra Estêvão.
Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu. Viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus.
Então disse:
— Vejo o céu aberto e o Filho do Homem de pé, à direita de Deus.
Eles gritaram, taparam os ouvidos e avançaram juntos contra ele. Arrastaram Estêvão para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.
As testemunhas deixaram suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo.
Enquanto era apedrejado, Estêvão orou:
— Senhor Jesus, receba o meu espírito.
Depois, ajoelhou-se e gritou:
— Senhor, não atribua a eles este pecado.
E ao dizer isso, morreu.
Saulo concordava com a morte de Estêvão.
Naquele dia começou uma grande perseguição contra a comunidade de cristãos em Jerusalém. Todos, menos os apóstolos, se espalharam pelas regiões da Judeia e de Samaria.
Estêvão é escolhido entre sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, para cuidar da distribuição diária de alimentos enquanto os apóstolos permanecem na oração e no anúncio da palavra. Os apóstolos oram e impõem as mãos sobre os sete: Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, este último convertido ao judaísmo e natural de Antioquia.
Os sete possuem nomes gregos, o que levou alguns estudiosos a relacioná-los ao grupo dos helenistas. Atos descreve o trabalho dos sete com o verbo servir (diakonein), da mesma família da palavra “diácono”. O próprio relato mostra que Estêvão, escolhido para esse serviço, também passa a ensinar e realizar sinais, e que Filipe, outro dos sete, posteriormente anuncia o Cristo em Samaria. (Atos 6:1–10; 8:5)
Os helenistas eram judeus de língua grega, em geral criados fora da Judeia. Os hebreus eram judeus de língua hebraica ou aramaica. Não se tratava de duas religiões: eram dois ambientes culturais dentro do mesmo povo e da mesma comunidade de discípulos.
As viúvas dependiam da distribuição diária. Antes, os discípulos que possuíam propriedades vendiam seus bens e entregavam o valor aos apóstolos, que distribuíam conforme a necessidade de cada um. Com o número de discípulos crescendo, a distribuição deixou de alcançar todas as viúvas. Na Lei de Moisés, o cuidado com a viúva é dever repetido, e uma comunidade que se dizia fiel a essa Lei não podia deixar o problema sem solução. (Atos 4:34–35; 6:1; Êxodo 22:22; Deuteronômio 24:19–21)
Os homens que discutem com Estêvão pertencem, segundo Atos, a sinagogas de judeus associados aos Libertos, aos de Cirene e Alexandria, aos da Cilícia e aos da Ásia. A palavra “Libertos” vem do latim libertini: escravos libertados por seus senhores, ou seus descendentes. A explicação mais citada pelos estudiosos liga o grupo a judeus levados a Roma como cativos por Pompeu, em 63 a.C., e depois libertados; parte deles teria voltado a Jerusalém e mantido ali uma sinagoga própria. Essa origem é discutida entre os estudiosos.
A Cilícia, uma das regiões citadas, tinha Tarso como uma de suas principais cidades, e Atos identifica posteriormente Saulo como natural de Tarso, na Cilícia. (Atos 6:9; 22:3)
Jerusalém estava sob domínio romano. O Templo era o lugar do culto, dos sacrifícios e da atividade sacerdotal, e os seguidores de Jesus continuavam a frequentá-lo para orar. A acusação contra o Templo atingia, portanto, o lugar onde a própria comunidade ainda se reunia. (Atos 2:46; 3:1)
O Sinédrio era o conselho das autoridades judaicas, com anciãos, escribas e sacerdotes, presidido pelo sumo sacerdote. Pedro e João já tinham sido presos e interrogados diante do Sinédrio, entre autoridades que incluíam Anás e Caifás. Os apóstolos, depois, foram presos e açoitados. A pregação sobre Jesus já era motivo de conflito antes da prisão de Estêvão. (Atos 4:1–21; 5:17–42)
Vencidos na discussão, os adversários procuram homens que o acusem falsamente. A acusação reúne três pontos: Moisés, a Lei e o Templo. As testemunhas afirmam que Estêvão anunciou a destruição do Templo por Jesus e a mudança dos costumes de Moisés. Essas acusações têm paralelo com as apresentadas contra Jesus durante seu julgamento. (Atos 6:9–14; Marcos 14:55–59)
O sumo sacerdote pergunta se as acusações são verdadeiras, e Estêvão não responde diretamente com uma confirmação ou negação. Em vez disso, apresenta um longo discurso sobre a história de Israel, passando por Abraão, José, Moisés, a tenda do testemunho, Davi, Salomão e os profetas. Ao final, dirige aos seus ouvintes uma acusação direta, relacionando a rejeição de Jesus à resistência demonstrada pelos antepassados diante dos enviados de Deus. (Atos 7:1–53)
Estêvão começa com Abraão, continua com José e dedica grande parte do discurso a Moisés. O relato destaca momentos em que os próprios israelitas rejeitaram ou não reconheceram inicialmente aqueles que posteriormente tiveram papel importante na história do povo. José é vendido pelos irmãos; Moisés é rejeitado quando tenta intervir entre dois israelitas e, mais tarde, é enviado como libertador.
No final do discurso, Estêvão aplica essa sequência a Jesus, chamado de “o Justo”, relacionando sua morte à rejeição dos profetas e à resistência dos ouvintes ao que ele considera a ação de Deus. Também cita a promessa de Moisés sobre um profeta semelhante a ele, posteriormente relacionada pelos primeiros cristãos a Jesus. (Atos 7:2–53; 3:14; Deuteronômio 18:15)
A acusação mais pesada era a do Templo. Estêvão lembra que a presença de Deus acompanhou Israel antes de qualquer Templo: Abraão recebe a revelação na Mesopotâmia, José tem Deus consigo no Egito, Moisés recebe a missão no deserto, e a tenda do testemunho acompanha o povo até os dias de Davi.
Ao citar Isaías 66:1–2, afirma que o Altíssimo não habita em construções feitas por mãos humanas. O argumento não nega a existência nem a importância histórica do Templo; questiona a ideia de limitar a presença de Deus a uma construção. A acusação de que Jesus destruiria o Templo remete às palavras do próprio Jesus sobre o santuário do seu corpo. (Atos 7:44–50; Isaías 66:1–2; João 2:19–21)
Ao ouvirem a acusação final de Estêvão, os membros do Sinédrio ficam furiosos. Estêvão olha para o céu e vê Jesus de pé à direita de Deus. Em Lucas 22:69, Jesus havia falado do Filho do Homem sentado à direita de Deus. Agora, Estêvão o vê de pé. (Atos 7:54–56; Lucas 22:69)
Quando Estêvão conta o que vê, a reação é imediata: todos gritam, tapam os ouvidos, avançam juntos contra ele, arrastam-no para fora da cidade e o apedrejam. (Atos 7:57–58)
O Sinédrio foi o conselho que entregou Jesus a Pilatos, o governador romano. O Evangelho de João registra que as autoridades disseram a Pilatos que não lhes era permitido matar ninguém. Com Estêvão, ninguém leva o caso a Pilatos: a multidão age ali mesmo, e a morte acontece pelas mãos de quem ouviu o discurso. (Marcos 15:1; João 18:31; Atos 7:57–60)
Saulo é chamado de jovem, e as testemunhas deixam as capas aos pés dele. O relato registra que concordava com a morte de Estêvão. Atos o apresenta em seguida como perseguidor da comunidade e, mais adiante, narra seu encontro com Jesus no caminho de Damasco. (Atos 7:58; 8:1–3; 9:1–6)
A morte de Estêvão é seguida de perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Os discípulos se espalham pela Judeia e por Samaria, e os apóstolos permanecem na cidade. Filipe, um dos sete escolhidos para o serviço das mesas, vai a Samaria e anuncia o Cristo ali. O roteiro de Atos 1:8, que vai de Jerusalém à Judeia, a Samaria e aos confins da Terra, começa a se cumprir. (Atos 1:8; 8:1–8)
A comunidade ouve a queixa das viúvas e responde com uma providência: reúne os discípulos e escolhe sete homens para o serviço. Kardec afirma que todos os homens estão submetidos às mesmas leis naturais e que Deus não deu a nenhum deles superioridade natural, nem pelo nascimento. As viúvas de língua grega valiam diante de Deus tanto quanto as de língua hebraica. (O Livro dos Espíritos, q. 803)
Os adversários discutem com Estêvão, procuram quem o acuse, agitam o povo e participam da execução. Cada passo é decisão de alguém. Estêvão também decide: aceita a tarefa, fala diante do Sinédrio e mantém sua palavra. Kardec ensina que o homem tem o livre-arbítrio de seus atos: como é livre para pensar, é livre para agir. Sem ele, o homem seria uma máquina. E quanto mais esclarecido, mais responsável é pelo que faz. (O Livro dos Espíritos, q. 843 e 849)
Estêvão acusa os ouvintes de terem recebido a Lei e não a terem obedecido. Kardec ensina que a lei de Deus está escrita na consciência. O homem a havia esquecido e desconhecido, e Deus quis que lhe fosse lembrada. Receber a Lei não basta: ela precisa ser vivida. (O Livro dos Espíritos, q. 621)
Estêvão pede perdão pelos que o apedrejam enquanto a agressão acontece, antes de qualquer sinal de arrependimento. O Evangelho Segundo o Espiritismo trata o amor aos inimigos como aplicação da caridade. Amar os inimigos, ali, é não ter ódio, rancor nem desejo de vingança, perdoar sem condição o mal recebido e não pôr obstáculo à reconciliação. Isso não exige a confiança nem a intimidade que se tem com um amigo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 12, item 3)
Saulo aprova a morte de Estêvão e participa da perseguição contra os discípulos. Mais tarde, o mesmo personagem muda de rumo ao encontrar Jesus no caminho de Damasco. Kardec ensina que o homem pode vencer suas más inclinações pelo esforço, às vezes com pequenos esforços: o que falta é a vontade. Uma má escolha não determina as escolhas posteriores. (O Livro dos Espíritos, q. 909)
Estêvão vê Jesus de pé à direita de Deus e, sob as pedras, diz: “Senhor Jesus, receba o meu espírito.” Diante da própria morte, Estêvão entrega o espírito a Jesus. Kardec ensina que, na morte, a alma volta a ser Espírito e retorna ao mundo dos Espíritos, conservando sua individualidade. (O Livro dos Espíritos, q. 149–150)
Kardec apresenta Jesus como o tipo mais perfeito oferecido por Deus à Humanidade para servir de guia e modelo. Na cena final, Estêvão repete o gesto de Jesus na cruz: entrega o espírito e pede perdão por quem o está matando. A aproximação entre as duas cenas está nos atos: Jesus entrega o espírito ao Pai e pede pelos que o crucificam; Estêvão entrega o espírito a Jesus e pede que o pecado não seja atribuído aos que o apedrejam. (O Livro dos Espíritos, q. 625)
Estêvão pede perdão pelos que o apedrejam enquanto a agressão acontece, antes de qualquer sinal de arrependimento. O Evangelho Segundo o Espiritismo trata o amor aos inimigos como aplicação da caridade e esclarece que isso não significa confiar em quem pratica o mal nem manter intimidade com ele. Perdoar é disposição interior; proteger-se da conduta ofensiva continua legítimo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 12)
Em Paulo e Estêvão, Emmanuel apresenta Estêvão pregando numa igreja simples, cheia de pobres, doentes e órfãos. Quando Saulo o desafia a discutir, Estêvão recusa a polêmica: o trabalho do Cristo pede esforço, não contendas inúteis. O discípulo prega entre os que sofrem e põe seu tempo no serviço. (Paulo e Estêvão, Primeira Parte, cap. 5)
Fonte Viva parte de Atos 4:31, a comunidade que ora e fica cheia do Espírito Santo. Emmanuel afirma que vivemos no meio das criações mentais a que damos origem e que, para nos elevar, não conhecemos outro recurso além da oração, que pede luz, amor e verdade. Em Atos, a oração está na escolha dos sete, quando os apóstolos oram ao impor as mãos sobre eles, e na morte de Estêvão. (Fonte Viva, cap. 149)
Estêvão abre o discurso com a ordem dada a Abraão de deixar a terra e a parentela (Atos 7:3), versículo que Emmanuel toma como ponto de partida de um capítulo. Ele separa família e parentela: a família é o símbolo dos laços eternos do amor; a parentela é o cadinho de lutas em que se diluem as imperfeições dos sentimentos, para que um dia se converta em família. Ao discípulo que enfrenta a oposição dos parentes, aconselha seguir o caminho de Jesus pelo exemplo, sem palavras. (Caminho, Verdade e Vida, cap. 62)
A história reúne grupos que discutem, acusam, julgam e executam. Emmanuel estuda a associação entre as pessoas: pela afinidade, assimilamos os pensamentos de quem pensa como nós, e somos sempre a soma de muitos. O mesmo capítulo diz que recebemos de volta as consequências de nossas próprias iniciativas. Esse estudo ajuda a entender por que os adversários agem juntos, sem tirar de nenhum deles a responsabilidade pelo que pensa e faz. (Pensamento e Vida, cap. 8)
Em Paulo e Estêvão, Emmanuel acompanha Estêvão da pregação ao Sinédrio e ao apedrejamento. Sereno diante da acusação, ele pede ao Senhor, ao morrer, que não impute o pecado a Saulo. No romance, Saulo é quem promove a denúncia e conduz a acusação; em Atos, ele é o jovem que aprova a execução. Essa elaboração pertence à narrativa de Emmanuel e não deve ser confundida com os dados fornecidos pelo livro de Atos. (Paulo e Estêvão, Primeira Parte, cap. 5–8)
Estêvão aparece quando uma comunidade precisa resolver uma necessidade material e é escolhido para cuidar da distribuição de alimentos. A mesma pessoa que serve às viúvas fala depois nas sinagogas, enfrenta uma acusação diante do Sinédrio e responde com a história de Israel.
Diante da pergunta do sumo sacerdote, Estêvão não responde diretamente às acusações. Responde com a história de Israel e apresenta uma sequência em que José e Moisés são inicialmente rejeitados pelos próprios israelitas antes de serem reconhecidos. Ao final, aplica essa sequência a Jesus, o Justo, entregue e morto.
A passagem reúne escolhas de pessoas diferentes: a comunidade decide atender as viúvas, Estêvão aceita a tarefa, os adversários escolhem acusá-lo e participam de sua execução, e Estêvão escolhe falar, orar e perdoar. A responsabilidade de cada escolha pertence a quem a fez.
Estêvão é apedrejado pelos que ouviram seu discurso. Ao morrer, entrega o espírito a Jesus e pede perdão por eles, como Jesus fez na cruz. Segundo Kardec, na morte a alma volta ao mundo dos Espíritos e conserva sua individualidade. (O Livro dos Espíritos, q. 149–150)
A cena termina com Saulo, que concordava com a execução e que, mais tarde, é apresentado em Atos, diante de Jesus, no caminho de Damasco. O mesmo homem que concordava com a morte de Estêvão muda de rumo, porém, a mudança não apaga a responsabilidade pelo que fez antes. (Atos 6:1–8:4; 9:1–6)
Equipe Vida e Espiritismo
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec valoriza a Bíblia como fonte de ensinamentos morais, sobretudo os Evangelhos.
Ele alerta, porém, contra interpretações literais ou dogmáticas.
O Espiritismo ajuda a esclarecer as passagens bíblicas à luz da razão e do ensino dos Espíritos (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução e cap. 1).
O vídeo a seguir auxilia na compreensão inicial do relato bíblico